Alckmin: governo terá programa para setores afetados por tarifa dos EUA sobre Pix
Alckmin: governo terá programa para setores afetados por tarifa

O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que o governo federal lançará um programa de apoio aos setores afetados pelo novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada nesta quarta-feira (15), tem como um dos argumentos o sistema de pagamentos Pix, considerado pelo governo americano como uma concorrência desleal contra empresas do setor de pagamentos dos EUA.

Pix como centro da disputa comercial

Em menos de cinco anos, o Pix se tornou a principal forma de pagamento dos brasileiros, especialmente para pequenos negócios, que se beneficiam do recebimento imediato, redução de custos e facilidade no fluxo de caixa. No entanto, a tecnologia agora está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o sistema brasileiro prejudicaria empresas americanas ao criar uma concorrência considerada desigual, por ser criado e operado pelo Banco Central.

Impacto nos pequenos negócios

Pesquisa do Sebrae em parceria com o Ipespe mostra que 59% dos donos de pequenos negócios consideram o Pix o principal meio de recebimento. Entre os MEIs, 97% utilizam o sistema como forma de pagamento, e para 28% deles, o Pix representa mais de 75% do faturamento. “O sistema é uma forma de pagamento que não tem volta e se tornou a preferida dos pequenos negócios pela rapidez no recebimento e pela contribuição para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

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Argumentos dos EUA

Os EUA alegam que o Banco Central atua como regulador e operador do Pix, dando vantagens que empresas privadas não possuem, já que o sistema não busca lucro. O governo Trump afirmou que não quer acabar com o Pix, mas não aceita que empresas americanas sejam prejudicadas. “Não estamos pedindo ao Brasil para se livrar do PICS ou de qualquer coisa que importe para o Brasil. O que não queremos é uma situação em que empresas americanas sejam forçadas a anunciar o PICS, ou sejam limitadas pelo PICS”, disseram representantes do governo americano.

Especialistas rejeitam concorrência desleal

Para especialistas ouvidos pelo g1, o Pix não representa concorrência desleal. Ralf Germer, CEO da PagBrasil, afirma: “O Pix não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo.” O economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, aponta que a pressão dos EUA está relacionada à mudança no modelo de negócios de empresas que lucravam com tarifas, como Visa e Mastercard.

Pix Internacional e hegemonia do dólar

Outro ponto de tensão é o Pix Internacional, que pode permitir pagamentos entre países do Brics, ameaçando a hegemonia do dólar. Especialistas ressaltam que o projeto ainda está em desenvolvimento e que essa é uma interpretação sobre impactos futuros, não uma justificativa oficial dos EUA. Os EUA também possuem sistemas de pagamento instantâneo, como FedNow e Zelle, mas com menor escala de uso.

Recorde de transações

Lançado em novembro de 2020, o Pix já conta com cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas e mais de 24 milhões de pessoas jurídicas. Em 2025, movimentou cerca de R$ 35,4 trilhões em quase 80 bilhões de transações, volume equivalente a quase três vezes o PIB do Brasil. Pedro Henrique Ramos, do RegLab, afirma que o sistema se tornou um modelo para outros países: “De uma forma ou de outra, o Pix virou uma vitrine.”

Outros argumentos dos EUA

Além do Pix, o tarifaço de 25% é justificado por decisões do STF sobre plataformas digitais, críticas ao ambiente regulatório para big techs, propriedade intelectual, corrupção, tarifas brasileiras sobre importados e desmatamento. O governo brasileiro rejeita as acusações e o presidente Lula afirmou que responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

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