O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump voltou a criticar o Federal Reserve nesta segunda-feira, pressionando por cortes nas taxas de juros e afirmando que os diretores do banco central são "políticos" em vez de técnicos independentes. A declaração ocorre em um momento de tensão entre a instituição e o governo, com os mercados atentos aos próximos passos da política monetária.
Trump repete críticas ao Fed
Durante um evento de campanha em Iowa, Trump disse que o Fed deveria reduzir os juros para estimular a economia. "Eles estão errados. Precisamos de cortes, e precisamos agora", afirmou o ex-presidente, que busca a indicação republicana para as eleições de 2024. Segundo Trump, os diretores do Fed "agem como políticos, não como banqueiros centrais".
Esta não é a primeira vez que Trump ataca o Federal Reserve. Durante seu mandato, ele frequentemente pressionou o então presidente do Fed, Jerome Powell, por taxas mais baixas, chegando a considerar demiti-lo. A postura de Trump contrasta com a tradição de independência do banco central americano.
Impacto das declarações nos mercados
As declarações de Trump não devem influenciar diretamente as decisões do Fed, mas reacendem o debate sobre a autonomia da instituição. Analistas apontam que a pressão política pode gerar incertezas, especialmente em um ano eleitoral. Desde o início de 2023, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 5,25% a 5,50%, após um ciclo de aperto monetário para conter a inflação.
Economistas consultados pelo Valor esperam que o Fed mantenha as taxas elevadas até que a inflação se aproxime da meta de 2%. "A pressão política não muda os fundamentos econômicos, mas pode afetar a percepção de risco", disse Carlos Alberto, economista-chefe de uma corretora brasileira.
Reação de republicanos e democratas
As críticas de Trump ao Fed dividem opiniões. Enquanto alguns republicanos defendem cortes para impulsionar o crescimento, democratas alertam para o risco de inflação persistente. A Casa Branca, por meio de um porta-voz, reiterou o compromisso com a independência do Federal Reserve. "O presidente Biden confia no trabalho técnico do Fed", afirmou o comunicado.
Trump, no entanto, não cede: "Se eu for eleito, garantirei que o Fed faça o que é certo para o povo americano, não para Wall Street", completou.



