A XP Investimentos afirma que ainda vale a pena comprar ações no Brasil, mesmo com o juro real acima de 8% ao ano. A recomendação surpreende em um cenário de aperto monetário, mas a corretora enxerga oportunidades em setores específicos e uma trajetória de queda da Selic no horizonte.
Por que a XP recomenda ações mesmo com juro real alto?
Em relatório recente, a XP destaca que o juro real brasileiro, descontada a inflação, está entre os mais altos do mundo. Isso tradicionalmente afasta investidores da renda variável, pois a renda fixa oferece retornos elevados com menor risco. No entanto, a corretora argumenta que o atual nível de preços de muitas ações já incorpora esse cenário adverso, criando margem para ganhos futuros.
“Com a Selic em 13,75% e a inflação em queda, o juro real deve começar a recuar nos próximos meses. Isso tende a beneficiar a bolsa, especialmente os setores domésticos”, afirma a equipe de análise da XP. A projeção é de que o Banco Central inicie o ciclo de cortes ainda neste semestre, o que pode impulsionar o Ibovespa.
Quais setores são os preferidos da XP?
A XP recomenda exposição a empresas ligadas ao consumo doméstico, como varejo e serviços, que são mais sensíveis à queda dos juros. Também destaca o setor financeiro, que tende a se beneficiar da redução da inadimplência e da retomada do crédito. Entre os papéis citados estão grandes nomes da bolsa, como bancos e empresas de tecnologia.
Outro ponto é a valuation: muitos papéis negociam a múltiplos historicamente baixos, o que oferece uma margem de segurança. A XP lembra que, em ciclos anteriores de corte de juros, a bolsa brasileira apresentou retornos expressivos, superando a renda fixa.
Riscos e cuidados ao investir
Apesar da recomendação, a XP alerta para riscos, como a incerteza fiscal e o cenário externo. A corretora sugere diversificação e um horizonte de longo prazo. “O investidor precisa ter paciência e não tentar timing de mercado. A renda variável é para quem pode esperar”, reforça o relatório.
Para quem deseja começar, a XP indica a compra gradual de ações, aproveitando as quedas pontuais. A recomendação é especialmente válida para quem já possui reserva de emergência e está disposto a assumir riscos em busca de retornos maiores no futuro.



