O índice de small caps (SMLL) enfrenta um ano desafiador, com queda acumulada de 4,58% no primeiro semestre, enquanto o Ibovespa subiu 6,76% no mesmo período. Apesar do desempenho negativo, analistas seguem enxergando nas empresas de menor capitalização a maior assimetria de preço da bolsa brasileira e reforçam suas apostas no segmento.
Múltiplos comprimidos explicam atratividade
O principal motivo para a visão otimista são os múltiplos historicamente comprimidos. A Genial Investimentos calcula que o segmento opera a 8,7 vezes o lucro projetado, cerca de 33% abaixo da média histórica, o maior desconto entre os recortes de tamanho da bolsa. O pano de fundo segue desafiador, com o real pressionado, saída de capital estrangeiro e uma curva de juros que voltou a abrir nos vértices mais longos – fatores que ajudam a explicar por que o desconto ainda não se converteu em fluxo comprador.
Carteiras recomendadas: Orizon e Marcopolo lideram
As carteiras recomendadas acompanhadas pelo InfoMoney apontam a Orizon (ORVR3) novamente no topo das recomendações, mas desta vez acompanhada pela Marcopolo (POMO4), que ganha espaço nas seleções impulsionada pelos volumes contratados no programa Caminho da Escola.
- Marcopolo (POMO4): 5 recomendações, retorno de +1,63% no ano. A fabricante de ônibus é a grande novidade do mês e lidera as indicações ao lado da Orizon, presente nas carteiras de BTG, Ágora, BB, Santander e XP. O principal motor da tese é o programa Caminho da Escola, no qual a companhia e sua parceira asseguraram participação bem acima da histórica, com pedidos que podem chegar a 7,2 mil unidades e sustentar volumes robustos no segundo semestre de 2026 e em 2027. Somam-se a isso os pedidos do Ministério da Saúde e a expectativa de que juros mais baixos estimulem a renovação de frotas. As casas destacam ainda o valuation atrativo, ao redor de 6 vezes o lucro projetado, a posição de caixa líquida e um dividend yield estimado próximo de 9% para o ano, mesmo após um primeiro trimestre mais fraco.
- Orizon (ORVR3): 5 recomendações, retorno de +13,14% no ano. A empresa de gestão de resíduos empata na liderança, com indicações de BTG, Santander, Ativa, XP e Itaú BBA. A conclusão da aquisição da Vital cria a maior plataforma de valorização de resíduos da América Latina e abre uma nova avenida de crescimento em contratos integrados de gestão. As casas avaliam que o mercado ainda não precificou integralmente o valor da transação e destacam o crescimento orgânico puxado pelo avanço do biometano e pela venda recorrente de créditos de carbono. O Santander projeta crescimento anual composto de EBITDA superior a 50% entre 2025 e 2028 e vê a ação negociando a uma taxa interna de retorno real de 10,3%, patamar ainda considerado atrativo.
- 3tentos (TTEN3): 4 recomendações, retorno de -7,46% no ano. O grupo agrícola verticalizado aparece nas carteiras de BTG, Santander, XP e Itaú BBA. A companhia recuperou a confiança do mercado após um primeiro trimestre bem acima do esperado, com EBITDA quase dobrando na comparação anual. As casas destacam a retomada das margens de insumos, os ganhos de participação de mercado e a aceleração da planta de etanol de milho, que abrem espaço para revisões positivas de estimativas. O BTG ressalta que a ação negocia abaixo de 8 vezes o lucro estimado para 2026, com crescimento anual composto superior a 15% e retorno sobre o capital acima de 20%, combinação vista como atrativa.
- C&A (CEAB3): 4 recomendações, retorno de -15,75% no ano. A varejista de moda reúne indicações de Terra, Santander, XP e Itaú BBA. A tese se apoia na execução consistente da companhia, que vem superando os pares por meio do reposicionamento em moda acessível, do avanço do canal digital e do desenvolvimento do C&A Pay. O Santander destaca um primeiro trimestre acima do esperado, com vendas nas mesmas lojas de vestuário em alta e ganho de margem, e vê a ação negociando a 5,5 vezes o lucro projetado para 2026, patamar considerado um ponto de entrada atrativo. A baixa alavancagem e o espaço para abertura de novas lojas sustentam a visão construtiva para os próximos trimestres.
- Cury (CURY3): 4 recomendações, retorno de +12,09% no ano. A incorporadora de baixa renda soma recomendações de Terra, Ágora, BB e XP. Referência no programa Minha Casa, Minha Vida, a Cury vem entregando crescimento consistente de lançamentos e vendas, com lucro recorde no primeiro trimestre e uma das maiores velocidades de vendas entre as listadas. As casas apontam a combinação de valuation descontado, forte geração de caixa e dividend yield atrativo, que funciona como proteção em cenários mais adversos. A elevação das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida, em vigor desde abril, amplia o mercado endereçável e reforça a previsibilidade dos resultados.
Fontes: BTG Pactual, Terra Investimentos, Ágora Investimentos, BB Investimentos, Santander, Ativa Investimentos, XP Investimentos, Itaú BBA, Genial Investimentos e Economatica.



