Os programas de recompra de ações na B3 aceleraram em 2025 e já somam R$ 11 bilhões, segundo levantamento recente. O movimento, que envolve empresas comprando suas próprias ações no mercado, sinaliza confiança na valorização dos papéis e pode beneficiar investidores. Confira cinco ações que estão no radar dos analistas.
O que impulsiona a recompra de ações?
A recompra de ações é uma estratégia corporativa que reduz a quantidade de papéis em circulação, aumentando a participação dos acionistas restantes e, potencialmente, o valor das ações. Em 2025, o volume de recompras na B3 atingiu R$ 11 bilhões, impulsionado por empresas com caixa robusto e valuation atrativo. O movimento é visto como um sinal positivo para o mercado, especialmente em um cenário de juros elevados e incertezas fiscais.
De acordo com o economista-chefe do Safra, a aceleração das recompras reflete a busca por alternativas de retorno em meio à Selic alta. "Há algo errado na política econômica quando empresas preferem recomprar ações a investir em capacidade produtiva", criticou, destacando que a taxa básica de juros elevada desestimula o investimento produtivo.
Cinco ações para ficar de olho
Analistas listaram cinco empresas que se destacam nos programas de recompra e podem oferecer boas oportunidades. Entre elas estão:
- Lavvi: incorporadora com forte geração de caixa e programa de recompra ativo.
- Plano & Plano: empresa do setor imobiliário que ampliou a recompra de ações.
- Embraer: fabricante de aeronaves que mantém recompra consistente, apesar de volatilidade.
- Vamos: locadora de veículos pesados que anunciou novo programa de recompra.
- Eneva: empresa de energia com recompra expressiva e valuation atrativo.
Essas empresas apresentam fundamentos sólidos e podem se beneficiar da redução da oferta de ações, o que tende a impulsionar os preços no médio prazo.
Impacto da Selic e do cenário macro
A Selic elevada, atualmente em 13,75% ao ano, torna a renda fixa mais atrativa, mas também pressiona as empresas endividadas. No entanto, companhias com baixo endividamento e fluxo de caixa positivo têm usado a recompra como forma de remunerar acionistas de maneira eficiente. Segundo analistas, o movimento deve continuar enquanto a taxa de juros permanecer alta, mas pode perder força se houver um ciclo de cortes na Selic.
O IBC-Br, prévia do PIB, avançou 0,10% em maio, acima das expectativas, indicando resiliência da economia. Esse dado, combinado com a aceleração das recompras, sugere que o mercado acionário pode encontrar suporte, apesar dos desafios fiscais e políticos.
Oportunidades e riscos
Investidores devem monitorar não apenas os programas de recompra, mas também os fundamentos das empresas. Uma recompra agressiva pode sinalizar falta de oportunidades de investimento, o que preocupa especialistas. "Nunca nada tão óbvio esteve tão barato", afirmou o gestor da Adam Asset, referindo-se à alocação em ativos de renda variável. No entanto, ele alerta que é preciso cautela diante das incertezas fiscais e do cenário externo.
O tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros também pressiona a Bolsa, com a alíquota para o Brasil sendo a segunda maior entre todos os países. Esse fator, somado à alta dos juros, pode limitar o potencial de valorização das ações no curto prazo.
Conclusão
A recompra de ações na B3 atingiu R$ 11 bilhões, refletindo a confiança de empresas em seus próprios papéis. As cinco ações destacadas – Lavvi, Plano & Plano, Embraer, Vamos e Eneva – estão entre as que mais se beneficiaram desse movimento. No entanto, investidores devem considerar o cenário macroeconômico e os riscos fiscais antes de tomar decisões.



