As recompras de ações na B3 aceleraram e atingiram R$ 11 bilhões no acumulado de 2023, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. O volume representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período de 2022, quando somou R$ 8,5 bilhões. O movimento é impulsionado por empresas que buscam valorizar seus papéis e otimizar a estrutura de capital.
O que está por trás do aumento das recompras
A recompra de ações é uma estratégia na qual a empresa adquire seus próprios títulos no mercado, reduzindo a quantidade de papéis em circulação. Isso tende a aumentar o lucro por ação (LPA) e pode sinalizar confiança da administração no valor intrínseco do negócio. De acordo com Einar Rivero, analista da Elos Ayta, “as empresas estão aproveitando valuations atrativos para recomprar ações, o que também beneficia os acionistas ao potencializar o retorno sobre o capital”.
Entre os setores com maior volume de recompras estão bancos, petróleo e gás, e tecnologia. O Itaú Unibanco lidera o ranking, com R$ 2,1 bilhões em recompras, seguido por Petrobras (R$ 1,8 bilhão) e B3 (R$ 1,2 bilhão).
5 ações para ficar de olho
Com base nos programas em andamento e no potencial de valorização, especialistas indicam cinco ações que merecem atenção dos investidores:
- ITUB4 (Itaú Unibanco): maior programa de recompra do ano, com forte geração de caixa e dividendos consistentes.
- PETR4 (Petrobras): recompra agressiva impulsionada pelo alto fluxo de caixa livre e preços do petróleo.
- B3SA3 (B3): a própria bolsa está recomprando ações, sinalizando confiança no crescimento de longo prazo.
- VALE3 (Vale): empresa anunciou recompra de até 5% das ações em circulação, aproveitando o baixo valuation.
- BBAS3 (Banco do Brasil): banco estatal tem programa de recompra robusto, combinado com dividendos elevados.
Impacto para o investidor
A recompra de ações pode ser um sinal positivo, mas é importante analisar se a empresa está usando caixa de forma eficiente. “Quando a empresa compra ações a preços justos, ela destrói valor se o custo de oportunidade for maior que o retorno esperado”, alerta Rafael Paschoarelli, economista da Safra. Ele acrescenta que “o ideal é que a recompra ocorra quando o papel está negociado abaixo do valor intrínseco”.
Além disso, o anúncio de recompra nem sempre se concretiza totalmente. Cerca de 20% dos programas anunciados não são concluídos, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Portanto, o investidor deve acompanhar os comunicados periódicos das empresas.
Perspectivas para o segundo semestre
Com a Selic em 13,75% ao ano, o custo de oportunidade para as empresas é alto, mas muitas ainda preferem recomprar ações a distribuir dividendos, devido à tributação menor sobre ganhos de capital. A expectativa é que o volume de recompras continue elevado, especialmente se a bolsa se mantiver desvalorizada. “Programas de recompra são uma ferramenta importante para gerar valor ao acionista, especialmente em momentos de baixa liquidez”, conclui Rivero.



