O número de golpes financeiros envolvendo ofertas de investimentos cresceu 35% no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A autarquia registrou 1.247 denúncias de fraudes, como esquemas Ponzi e pirâmides financeiras, entre janeiro e junho, contra 923 no mesmo período de 2025. O aumento acendeu um alerta entre reguladores e especialistas, que reforçam a necessidade de cautela ao aplicar dinheiro.
Esquemas clássicos e novas modalidades
Os golpes mais comuns continuam sendo as promessas de retorno rápido e acima da média do mercado. “O investidor precisa desconfiar de ofertas que garantem lucros de 5% ao mês sem risco”, alerta Carlos Alberto de Oliveira, analista sênior da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin). “Não existe almoço grátis no mercado financeiro.”
Além dos esquemas tradicionais, surgiram fraudes envolvendo criptomoedas e ativos digitais. A CVM identificou 312 casos de golpes com supostos “robôs traders” que prometiam multiplicar investimentos em poucos dias. “Eles usam plataformas aparentemente profissionais, mas que são controladas pelos fraudadores”, explica o superintendente de Proteção aos Investidores da CVM, Paulo Roberto Gonçalves.
Perfil das vítimas e danos financeiros
As vítimas são em sua maioria pessoas com ensino superior (52%) e renda acima de R$ 10 mil (38%). O prejuízo médio por ocorrência foi de R$ 24.500, com casos isolados de perdas superiores a R$ 500 mil. A faixa etária mais atingida é de 35 a 50 anos, que representa 44% dos lesados.
“As pessoas mais instruídas também caem em golpes porque confiam em indicações de amigos ou parentes”, observa a psicóloga financeira Marina Sampaio. “A engenharia social é cada vez mais sofisticada.”
Orientações para se proteger
A CVM recomenda verificar se a oferta de investimento está registrada no órgão. “Antes de aplicar, consulte o site da CVM para checar se a empresa ou o produto tem autorização”, destaca Gonçalves. Outra dica é desconfiar de contatos não solicitados por WhatsApp ou redes sociais.
“Nunca transfira dinheiro para pessoa física ou empresa sem antes confirmar a idoneidade”, acrescenta Oliveira. A Abefin sugere ainda que o investidor busque orientação de profissionais certificados, como planejadores financeiros.
Medidas das autoridades
A CVM intensificou a fiscalização e criou um canal específico para denúncias de fraudes. Em parceria com a Polícia Federal, foram abertos 47 inquéritos só em 2026. “Estamos rastreando as quadrilhas e bloqueando ativos para reduzir o prejuízo das vítimas”, afirma Gonçalves.
O Banco Central também emitiu comunicado alertando sobre golpes que usam o nome de instituições financeiras tradicionais. “É fundamental que o cidadão nunca forneça dados bancários ou senhas para terceiros”, diz a nota oficial.
Impacto na confiança do mercado
A escalada de fraudes afeta a credibilidade do sistema financeiro como um todo. Uma pesquisa do Instituto DataInvest mostra que 67% dos brasileiros têm medo de investir por receio de serem enganados. “Isso prejudica a formação de poupança de longo prazo e o desenvolvimento econômico”, alerta a economista Heloísa Torres.
Especialistas defendem educação financeira desde a escola. “Precisamos formar cidadãos mais críticos para que não caiam em promessas milagrosas”, conclui Oliveira. Enquanto isso, a recomendação é que o investidor mantenha o pé no chão e priorize a segurança.



