O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil vive um momento de expansão acelerada, impulsionado pela busca de empresas por alternativas de crédito e pela diversificação de investidores. Em entrevista, Pedro Daniel Magalhães, CEO da Saftec, dimensiona esse crescimento e aponta as perspectivas para o setor.
Crescimento expressivo do mercado
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos FIDCs atingiu R$ 320 bilhões em junho de 2026, um aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Pedro Daniel Magalhães, esse avanço reflete a maturidade do mercado e a confiança dos investidores. “Os FIDCs se consolidaram como uma ferramenta eficiente de financiamento para empresas de diversos portes, especialmente as de médio porte, que encontram dificuldades no crédito bancário tradicional”, afirma.
Perfil dos investidores
O executivo destaca que os investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, têm aumentado sua alocação em FIDCs, atraídos pela rentabilidade e pela diversificação de risco. “Com a taxa Selic em patamares elevados, os FIDCs oferecem retornos atrativos, com spread sobre o CDI que pode chegar a 5% ao ano, dependendo da qualidade dos créditos”, explica Magalhães. Além disso, investidores estrangeiros também demonstram interesse, representando cerca de 12% do total de cotistas.
Segmentos mais aquecidos
Entre os setores que mais emitem FIDCs, destacam-se o financeiro, com 40% do volume, seguido por varejo (25%), indústria (20%) e serviços (15%). Magalhães ressalta que a tecnologia tem sido uma aliada importante na gestão desses fundos. “A Saftec desenvolveu plataformas de análise de crédito baseadas em inteligência artificial, que permitem avaliar milhares de operações em tempo real, reduzindo o risco de inadimplência”, revela.
Desafios regulatórios
Apesar do otimismo, o CEO da Saftec aponta desafios, como a necessidade de maior transparência e padronização das informações. “A regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem evoluído, mas ainda há espaço para melhorias, especialmente na divulgação de dados de performance e risco”, avalia. A expectativa é que novas normas, previstas para 2027, tragam mais segurança ao mercado.
Perspectivas futuras
Para os próximos anos, Magalhães projeta que o mercado de FIDCs continue crescendo a taxas de dois dígitos, impulsionado pela digitalização e pela entrada de novos players. “Estamos vendo um movimento de tokenização de recebíveis, o que pode democratizar ainda mais o acesso a esse tipo de investimento”, conclui. A Saftec, que já gerencia mais de R$ 15 bilhões em ativos, planeja expandir sua atuação para outros países da América Latina.



