Estrangeiros sacam mais de R$ 1 bi na B3 em 24 de julho
Estrangeiros sacam mais de R$ 1 bilhão na B3 em julho

Saída recorde em 24 de julho

Em 24 de julho de 2026, investidores estrangeiros retiraram R$ 1,05 bilhão da B3, a bolsa de valores brasileira. O montante representa a maior saída diária de capital estrangeiro em três meses, segundo dados divulgados pela própria B3. O movimento acentuou o fluxo negativo de julho, que acumula R$ 4,5 bilhões em retiradas.

Contexto do mercado

O forte saque ocorre em meio a um cenário de aversão ao risco global, impulsionado pela expectativa de novos aumentos de juros nos Estados Unidos. Dados econômicos americanos divulgados na semana passada indicaram inflação persistente, elevando as apostas por uma postura mais agressiva do Federal Reserve. Além disso, a valorização do dólar frente ao real torna a renda variável brasileira menos atrativa para o capital externo.

Segundo o economista-chefe do Banco ABC, João Pedro Silva, “os estrangeiros estão ajustando posições diante do cenário de juros altos nos EUA e da incerteza fiscal no Brasil”. Ele acrescenta que o movimento de saída deve continuar nas próximas semanas, caso não haja novidades positivas no cenário interno.

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Impacto na B3

O Índice Bovespa fechou o dia 24 de julho com queda de 0,8%, influenciado pela fuga de capital estrangeiro. Os papéis mais afetados foram os de empresas ligadas a commodities e consumo interno. A retirada de R$ 1,05 bilhão representa cerca de 0,2% do total de recursos estrangeiros alocados na B3, que somam aproximadamente R$ 500 bilhões.

No acumulado de 2026, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira é positivo em R$ 12,3 bilhões, mas o resultado de julho já reduziu significativamente esse superávit. Analistas do mercado financeiro avaliam que, se o fluxo negativo persistir, o Ibovespa pode encontrar dificuldades para sustentar os patamares atuais.

Comparação com meses anteriores

Em junho, a saída líquida de estrangeiros foi de R$ 2,1 bilhões, inferior ao ritmo observado em julho. A média diária de saída em julho subiu para R$ 215 milhões, ante R$ 100 milhões no mês anterior. O movimento acentuado em 24 de julho destoa dos dias anteriores, quando as retiradas não ultrapassavam R$ 300 milhões.

Parte do fluxo negativo é atribuída à realização de lucros, já que o Ibovespa acumulava alta de 6% nos primeiros 20 dias de julho. “Há uma clara tomada de lucro por parte dos estrangeiros, que aproveitam a alta para reduzir exposição diante da incerteza global”, explica a analista de investimentos Marina Costa, da XP Investimentos.

Perspectivas

Para os próximos dias, a expectativa é de que o fluxo de capital estrangeiro continue volátil. A agenda econômica inclui a divulgação do PIB brasileiro do segundo trimestre, que pode influenciar as decisões de alocação. Caso o dado venha abaixo do esperado, novas saídas são prováveis. Por outro lado, avanços nas reformas fiscais no Congresso poderiam atrair novamente o capital externo.

A B3 informou que monitora o movimento e que a infraestrutura de negociação opera normalmente. O Banco Central também acompanha a saída de divisas, mas até o momento não sinalizou intervenção.

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