A Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgou um alerta sobre o aumento significativo do tráfico de pessoas para centros de golpes virtuais na Ásia. Segundo o organismo, indivíduos de mais de 80 países foram aliciados por meio de redes sociais, com promessas falsas de empregos bem remunerados. Ao chegarem aos destinos, muitas vítimas foram forçadas a trabalhar em esquemas fraudulentos e algumas sofreram abusos sexuais.
Modus operandi dos traficantes
Os recrutadores utilizam plataformas como Facebook, Instagram e aplicativos de mensagens para oferecer vagas em supostas empresas de tecnologia, atendimento ao cliente ou marketing digital. As ofertas incluem salários atrativos e benefícios, mas, na realidade, as vítimas são levadas para complexos operacionais em países como Camboja, Mianmar e Laos. Uma vez lá, têm seus passaportes confiscados e são submetidas a jornadas exaustivas, sob ameaças de violência física.
Condições nos centros de golpes
Os centros funcionam em edifícios vigiados, onde as vítimas passam até 15 horas por dia aplicando golpes contra pessoas do mundo inteiro. Os golpes incluem fraudes amorosas, investimentos falsos e esquemas de criptomoedas. A OIM estima que dezenas de milhares de pessoas estejam presas nessa rede. Relatos indicam que a resistência é punida com choques elétricos, espancamentos e confinamento solitário.
Resposta internacional
Governos da região têm realizado operações de resgate, mas o problema persiste devido à corrupção e à falta de coordenação entre países. A OIM pede que as nações reforcem a fiscalização das fronteiras e invistam em campanhas de prevenção nas redes sociais. A organização também orienta potenciais candidatos a verificarem a idoneidade de ofertas de emprego no exterior.
O alerta da ONU coincide com a divulgação de imagens de um complexo desativado em O'Smach, na fronteira entre Tailândia e Camboja, que era usado para operações fraudulentas. O local foi alvo de confrontos entre as forças tailandesas e cambojanas em dezembro de 2025. As autoridades locais continuam investigando a extensão da rede criminosa.



