Demanda por criptoativos cresce 135% no 1º semestre, aponta BC
Demanda por criptoativos cresce 135% no 1º semestre

A procura por criptoativos no Brasil registrou um salto de 135% no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O levantamento, que considera transações registradas em exchanges nacionais e internacionais, revela que o volume total negociado atingiu R$ 120 bilhões, contra R$ 51 bilhões no mesmo período de 2025.

Motivações do crescimento

Segundo o BC, o aumento da demanda está associado à maior participação de investidores institucionais, que passaram a incluir criptoativos em suas carteiras como forma de diversificação. Além disso, a inflação persistente e a busca por proteção contra a desvalorização cambial também impulsionaram o movimento. “Observamos uma migração significativa de recursos de aplicações tradicionais para ativos digitais, especialmente entre fundos de pensão e seguradoras”, afirmou o diretor de Regulação do BC, João Silva, em nota oficial.

Outro fator apontado é o amadurecimento do marco regulatório. A aprovação do projeto de lei que estabelece regras claras para o setor, sancionado em dezembro de 2025, trouxe segurança jurídica e atraiu novos participantes. “A regulação foi um divisor de águas. Antes, muitos investidores institucionais tinham receio de exposição a esse mercado; agora, enxergam oportunidades com riscos controlados”, completou Silva.

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Perfil dos investidores e ativos preferidos

O BC detalhou que o Bitcoin (BTC) continua sendo o ativo mais procurado, respondendo por 52% do volume negociado. O Ethereum (ETH) vem em seguida, com 28%, enquanto stablecoins, como USDT e USDC, representam 12%. O restante é pulverizado entre altcoins e tokens de DeFi. O número de investidores pessoas físicas também cresceu: passou de 4,2 milhões para 7,8 milhões no período.

“O perfil do investidor brasileiro está mudando. Antes, a maioria era composta por jovens de até 35 anos; agora, vemos uma fatia crescente de pessoas acima de 50 anos, especialmente aposentados em busca de renda extra”, destacou o relatório. A região Sudeste concentra 60% das transações, mas o Nordeste apresentou o maior incremento percentual, com alta de 180%.

Impactos na economia e perspectivas

O crescimento da demanda por criptoativos tem reflexos na balança de pagamentos. O BC estima que o envio de reais para exchanges estrangeiras aumentou 90% no semestre, gerando um déficit na conta financeira de R$ 8 bilhões. No entanto, a autarquia avalia que o movimento é positivo para a inovação financeira. “Estamos acompanhando de perto os riscos, mas acreditamos que a tecnologia blockchain pode trazer eficiência ao sistema”, afirmou o diretor.

Para o segundo semestre, a expectativa é de continuidade da tendência, embora em ritmo mais moderado. O BC projeta um crescimento entre 80% e 100% no acumulado do ano, impulsionado pelo lançamento de novos ETFs de criptomoedas na B3 e pela entrada de grandes bancos no mercado de custódia de ativos digitais. “O Brasil tem potencial para se tornar um hub de criptoativos na América Latina, desde que mantenhamos um ambiente regulatório equilibrado”, concluiu João Silva.

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