A Elo, bandeira de cartões controlada por Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, anunciou nesta quarta-feira (17) o lançamento de um novo serviço de pagamento via Pix por biometria facial. A solução, desenvolvida em parceria com a Stone, permite que consumidores realizem transações em estabelecimentos comerciais sem a necessidade de cartão físico, celular ou qualquer outro dispositivo eletrônico. Basta o cliente ter seu rosto cadastrado no sistema e, no momento da compra, autorizar o pagamento por meio do reconhecimento facial.
Como funciona o Pix por biometria da Elo
O serviço opera com a tecnologia de biometria facial da Stone, que já é utilizada em mais de 200 mil pontos de venda no Brasil. O pagamento é feito em duas etapas: o cliente informa o CPF ou telefone no terminal e, em seguida, tem o rosto escaneado por uma câmera. A transação é autorizada após a confirmação da identidade, e o valor é debitado da conta bancária vinculada ao Pix. Segundo a Elo, a tecnologia garante segurança e agilidade, reduzindo o tempo de fila nos caixas.
“A biometria facial é uma tendência irreversível no mercado de pagamentos. Com essa parceria, oferecemos mais uma opção de pagamento digital, segura e sem atrito, para os consumidores”, afirmou Eduardo Lopes, diretor-executivo de Produtos e Inovação da Elo. A empresa não divulgou o número de estabelecimentos que já aderiram ao novo serviço, mas informou que a meta é alcançar 500 mil pontos de venda até o final de 2027.
Expansão além dos cartões
O movimento da Elo sinaliza uma estratégia de diversificação para além do mercado de cartões de crédito e débito, que enfrenta concorrência crescente de carteiras digitais e do próprio Pix. A bandeira, que tem cerca de 150 milhões de cartões emitidos, busca se posicionar como plataforma de meios de pagamento. “Não queremos ser apenas uma bandeira de cartões. Queremos ser a escolha do consumidor para qualquer tipo de pagamento, seja ele físico, digital ou biométrico”, completou Lopes.
A parceria com a Stone é estratégica, pois a empresa já possui capilaridade no varejo, especialmente entre pequenos e médios comerciantes. A Stone, por sua vez, vê na biometria uma forma de fidelizar clientes e aumentar o volume de transações. “O Pix por biometria reduz o atrito no checkout e oferece uma experiência diferenciada. Acreditamos que essa tecnologia vai impulsionar as vendas dos nossos lojistas”, disse Rafael Lopes, diretor de Produtos da Stone.
Impactos no mercado de pagamentos
O lançamento ocorre em um momento de aquecimento do mercado de pagamentos biométricos no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), as transações com biometria cresceram 45% em 2025, atingindo R$ 12 bilhões. A expectativa é que esse número triplique até 2028, com a popularização de soluções como a da Elo.
Especialistas apontam que a biometria facial pode ajudar a reduzir fraudes, já que o rosto é um dado único e difícil de ser copiado. No entanto, questões de privacidade e proteção de dados ainda geram debate. A Elo afirma que o sistema segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e que as imagens dos rostos são criptografadas e armazenadas em servidores seguros.
Com essa iniciativa, a Elo entra em concorrência direta com outras soluções biométricas do mercado, como o PagSeguro e o Mercado Pago, que já oferecem pagamento por reconhecimento facial em alguns estabelecimentos. A diferença, segundo a Elo, é a integração com o Pix, que permite pagamentos instantâneos e sem taxa para o consumidor.
Próximos passos
A Elo planeja expandir o serviço para outros canais, como pagamento de contas e recarga de celular, além de testar a tecnologia em transportes públicos. A empresa também estuda a possibilidade de oferecer o Pix por biometria para transações online, onde o cliente autorizaria a compra com uma selfie.
“Estamos apenas no começo. A biometria vai revolucionar a forma como pagamos, e queremos estar na vanguarda dessa mudança”, concluiu Eduardo Lopes.



