O Bank of America (BofA) divulgou relatório sobre a WEG (WEGE3) apontando uma boa e uma má notícia para investidores. A expansão da capacidade produtiva no segmento de transmissão e distribuição (T&D) deve pressionar temporariamente as margens, mas reforça a tese de crescimento estrutural da fabricante catarinense.
Expansão e pressão nas margens
Os analistas Rogerio Araújo e Gabriel Frazão destacam que a WEG ampliará sua capacidade de T&D no Brasil entre o terceiro e quarto trimestre de 2026, seguida por expansões no México e Colômbia no início de 2027. Com isso, a capacidade do segmento, que já responde por mais de 20% das receitas, será aproximadamente dobrada.
No entanto, parte dos custos necessários para sustentar essa expansão — especialmente despesas com pessoal — começará a ser reconhecida antes que a nova capacidade gere receitas. Como consequência, a margem Ebitda pode sofrer pressão de cerca de 1 ponto percentual no segundo semestre de 2026, aproximando-se da faixa inferior do intervalo histórico recente de 22% a 23%.
Compensação gradual
Apesar do impacto inicial, o banco avalia que o efeito negativo será parcialmente compensado pelo perfil da carteira de encomendas. Uma parcela relevante dos novos contratos envolve equipamentos de ciclo longo, cuja receita é reconhecida pelo método de percentual de conclusão (PoC), permitindo que parte da produção gere receita ainda durante a fase de aceleração operacional.
Na visão dos analistas, o impacto tende a se inverter com o avanço da utilização das novas plantas. A estimativa é que a pressão de 1 ponto percentual em 2026 se transforme em impulso semelhante a partir de 2028, beneficiado pelo aumento da absorção da capacidade instalada e pelo maior peso do segmento de T&D, estruturalmente mais rentável.
Melhora operacional em 2026
Os analistas também enxergam melhora gradual dos resultados operacionais ao longo de 2026. Após a pressão no primeiro trimestre, as margens devem se estabilizar entre o segundo e terceiro trimestres, favorecidas pela redução dos impactos das tarifas comerciais nos EUA, repasse dos preços do cobre e recuperação dos volumes de produção.
Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar contribui para sustentar as receitas da companhia, que tem forte exposição internacional. A Selic mais elevada aumenta as receitas financeiras, já que a empresa mantém posição líquida de caixa.
Projeções financeiras
O BofA projeta receita líquida de R$ 41,2 bilhões em 2026, crescimento modesto de 1,1% na comparação anual, mas espera aceleração para altas de 15,2% em 2027 e 14% em 2028, impulsionadas pela expansão do negócio de energia. O lucro líquido estimado é de R$ 6,4 bilhões em 2026, avançando para R$ 7,8 bilhões em 2027 e R$ 9 bilhões em 2028.
Mesmo com cenário favorável, o banco entende que a valorização das ações já incorpora boa parte dessa trajetória. Os papéis negociam a cerca de 25 vezes o lucro estimado para 2027, próximo das médias históricas.
Recomendação e preço-alvo
O BofA manteve recomendação neutra para as ações e preço-alvo de R$ 53, o que representa potencial de valorização de cerca de 13% sobre o fechamento da véspera. O banco acredita que a relação entre risco e retorno permanece equilibrada, destacando o histórico de execução, a qualidade dos ativos e o potencial de crescimento no mercado global de eletrificação e infraestrutura energética, mas não vê espaço para revisões positivas de curto prazo que justifiquem postura mais otimista.



