O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com lideranças femininas na última segunda-feira para discutir propostas para o eleitorado feminino, mas o encontro foi marcado por uma crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que renunciou à presidência do PL Mulher na semana anterior. A reunião, realizada em Brasília, contou com a presença de cerca de 30 mulheres, entre vereadoras, deputadas estaduais e representantes de movimentos conservadores.
Aceno de aliada de Michelle e elogios a Damares
Logo no início, a deputada federal Priscila Costa (PL-CE), aliada de Michelle, fez um aceno à ex-primeira-dama ao mencionar sua gestão à frente do PL Mulher. “Precisamos reconhecer o trabalho da Michelle, que dedicou tempo e energia para fortalecer a participação feminina no partido”, disse Priscila, segundo relatos de participantes. Em seguida, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) recebeu elogios de Flávio, que destacou sua atuação como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo Bolsonaro. “Damares é uma referência para nós”, afirmou o senador.
Crítica de Flávio a Michelle gera mal-estar
O clima, porém, azedou quando Flávio fez uma crítica indireta a Michelle. Ao falar sobre a necessidade de união no partido, ele disse: “Não podemos ter pessoas que pensam mais em si mesmas do que no projeto coletivo”. A frase foi interpretada como uma referência à renúncia de Michelle, que deixou o cargo após divergências com a cúpula do PL. Segundo uma fonte presente, “houve um silêncio constrangedor” e algumas participantes trocaram olhares de preocupação. Priscila Costa tentou contornar a situação, lembrando que “todas as lideranças são importantes”, mas o mal-estar persistiu.
Propostas discutidas: empreendedorismo e combate à violência
Apesar da tensão, a reunião prosseguiu com a apresentação de propostas para o programa de governo de Flávio. Os principais temas foram empreendedorismo feminino, com sugestões de linhas de crédito especiais e capacitação profissional, e combate à violência contra a mulher, incluindo a ampliação de delegacias especializadas e a criação de um disque-denúncia unificado. “Precisamos de políticas que gerem autonomia financeira para as mulheres, porque isso reduz a vulnerabilidade”, defendeu Damares. Também foram discutidas ações na área da saúde, como a ampliação de centros de atendimento a vítimas de violência sexual.
Impacto da crise na pré-campanha
A crise com Michelle Bolsonaro, que é uma das principais cabos eleitorais do clã Bolsonaro, pode afetar a pré-campanha de Flávio ao governo do Distrito Federal. Analistas apontam que a ex-primeira-dama tem forte apelo entre o eleitorado feminino conservador, e sua ausência no palanque pode ser um obstáculo. “A base feminina do bolsonarismo está dividida, e Flávio precisa de Michelle para unificar esse segmento”, avaliou a cientista política Lúcia Avelar, da Universidade de Brasília. A reunião desta segunda-feira foi vista como uma tentativa de Flávio de mostrar que tem capilaridade entre as mulheres, mas o episódio com a crítica expôs as fissuras internas.
Próximos passos
Flávio Bolsonaro deve se encontrar nos próximos dias com Michelle para tentar aparar as arestas. Enquanto isso, a pré-campanha segue com agendas setoriais. A expectativa é que o programa de governo seja lançado em agosto, com foco em segurança, educação e geração de empregos. As lideranças femininas presentes na reunião comprometeram-se a atuar como multiplicadoras das propostas em suas bases.



