O Bank of America (BofA) recomendou que investidores busquem ações com características de títulos de renda fixa, diante do aumento da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã. A orientação ocorre em um cenário de incertezas que afeta os mercados globais, com a TSMC superando estimativas de lucro, mas vendo suas ações caírem, arrastando o Nasdaq. O Safra Asset, por sua vez, projeta alta de juros nos EUA e um dólar forte frente ao real.
Recomendação do BofA em meio à tensão geopolítica
O BofA sugere que os investidores se voltem para ações defensivas, conhecidas como 'parecidas com títulos', que oferecem maior estabilidade e dividendos consistentes. A recomendação vem em um momento de escalada das tensões entre EUA e Irã, que reacendeu o prêmio de risco para petroleiras e elevou a volatilidade nos mercados. O estreito de Ormuz voltou ao radar, apertando os preços do diesel e gerando preocupações sobre o fornecimento global de energia.
TSMC supera estimativas, mas ação cai
A gigante de semicondutores TSMC reportou resultados trimestrais acima das expectativas do mercado, mas suas ações recuaram, contribuindo para a queda do índice Nasdaq. Investidores questionam se é hora de sair do papel, enquanto a empresa promete investir mais US$ 100 bilhões para expandir a produção de chips nos EUA. A notícia gerou dúvidas sobre a sustentabilidade da alta do setor de tecnologia.
Safra Asset prevê juros altos e dólar forte
O Safra Asset divulgou projeções indicando que os juros nos Estados Unidos devem continuar subindo, o que fortalecerá o dólar contra o real. A análise considera o impacto das tarifas comerciais e a postura do Federal Reserve. O Tesouro IPCA+ também registrou alta por toda a curva, acompanhando os Treasuries americanos, refletindo as expectativas de aperto monetário.
Impacto no mercado de petróleo e petroleiras
A volta do estreito de Ormuz ao centro das atenções elevou os preços do diesel e reacendeu o prêmio de risco para as petroleiras. O BofA alerta que a tensão pode se intensificar, afetando ainda mais o setor energético. Paralelamente, a retaliação do Brasil aos EUA pode envolver royalties e patentes farmacêuticas, ampliando o cenário de incertezas comerciais.
Reações políticas e econômicas
No campo político, o tarifaço dos EUA gerou críticas. A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que 'o tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado'. O JPMorgan, por outro lado, avalia que o impacto econômico das tarifas é limitado, mas o efeito político é mais relevante. No Brasil, Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, atacaram o presidente Lula, que culpou a família Bolsonaro pela ação dos EUA.
Mercados europeus e asiáticos
As ações europeias avançaram, impulsionadas por balanços positivos, mas o otimismo foi amenizado pela guerra no Oriente Médio. Na Ásia, hedge funds chineses que lucraram com inteligência artificial começam a buscar saída, enquanto a Kinea questiona se o investimento de US$ 1 trilhão em IA terá retorno. A Copel caiu 3% após elevar a meta de alavancagem, e o JPMorgan demonstrou cautela sobre seus dividendos.
Outros destaques do mercado
A Movida (MOVI3) dobrou o lucro líquido no segundo trimestre de 2026, atingindo R$ 135,6 milhões. Já a Ânima desabou 33% após a compra da FMU, e analistas apontam cinco motivos para a queda. No setor de fundos imobiliários, o HGRE11 vendeu conjuntos comerciais em SP e propôs emissão de até R$ 700 milhões.



