Em palestra no Brasil, o ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh defendeu que, fora de períodos de crise política ou econômica, a política monetária deve ser conduzida quase exclusivamente por meio da taxa de juros. Segundo ele, o uso de ferramentas não convencionais, como compra de ativos e orientação futura, deve ser reservado apenas para momentos excepcionais.
Críticas ao uso excessivo de instrumentos não convencionais
Warsh criticou a tendência dos bancos centrais de recorrerem a medidas não tradicionais mesmo em tempos de normalidade. "Quando a crise passa, a política monetária deve retornar ao seu instrumento principal: a taxa de juros. Qualquer outro instrumento deve ser descontinuado", afirmou. Ele citou exemplos de economias que mantiveram programas de compra de ativos por tempo excessivo, gerando distorções nos mercados.
Impactos para a economia brasileira
O ex-diretor do Fed também comentou sobre a situação do Brasil, destacando que o Banco Central do Brasil (BCB) tem agido corretamente ao elevar a Selic para conter a inflação. "O BCB está no caminho certo ao usar os juros como principal instrumento. Isso dá credibilidade e previsibilidade", disse. Para Warsh, a comunicação clara sobre os próximos passos da política monetária é fundamental para ancorar as expectativas do mercado.
Riscos de intervenções excessivas
Warsh alertou que intervenções frequentes no câmbio ou no mercado de crédito podem gerar incertezas. "Cada vez que o banco central usa uma ferramenta não convencional, cria-se uma expectativa de que ela será usada novamente. Isso fragiliza a eficácia da política monetária", explicou. Ele defendeu que o foco deve estar na estabilidade de preços e no crescimento sustentável.
Lições da crise de 2008
O economista lembrou que, durante a crise financeira global de 2008, as medidas não convencionais foram necessárias para evitar o colapso do sistema financeiro. No entanto, uma vez superada a emergência, os bancos centrais deveriam ter normalizado suas políticas mais rapidamente. "O Fed demorou para subir os juros após a crise, e isso gerou bolhas de ativos", afirmou.
Perspectivas para a política monetária global
Para Warsh, o atual ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos e na Europa é bem-vindo, mas deve ser conduzido com transparência. "Os mercados precisam saber exatamente o que esperar. Surpresas são prejudiciais", concluiu. Ele também elogiou a independência do Banco Central do Brasil, considerando-a essencial para o controle da inflação.



