Produção industrial no Brasil cai 1,8% em junho e frustra projeções do mercado
Produção industrial cai 1,8% em junho, frustrando mercado

A produção industrial do Brasil caiu 1,8% em junho na comparação com maio, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado frustrou as projeções do mercado, que previam estabilidade no período. No segundo trimestre, a indústria acumulou alta de 0,5%.

Impacto no PIB e expectativas

A queda de junho interrompe uma sequência de dois meses de crescimento, que havia sido de 0,3% em abril e 0,8% em maio (dados revisados). Com o resultado, o setor industrial acumula alta de 1,0% no primeiro semestre, mas o desempenho fica abaixo do esperado por analistas, que projetavam um avanço mais robusto para o período.

Para o economista-chefe de uma grande corretora, o resultado reflete a desaceleração da economia global e os efeitos dos juros altos sobre o consumo e o investimento. "A indústria sente o impacto da política monetária restritiva, e a queda de junho era esperada por alguns, mas a magnitude surpreendeu negativamente", afirmou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Setores em destaque

Entre os setores que mais contribuíram para a queda estão o de veículos automotores, que recuou 4,2%, e o de máquinas e equipamentos, com baixa de 3,5%. Por outro lado, o setor de alimentos e bebidas registrou alta de 1,2%, amenizando o resultado negativo.

A produção de bens de capital caiu 3,1%, indicando menor apetite por investimentos. Já os bens de consumo duráveis tiveram queda de 2,8%, refletindo a retração na demanda por produtos de maior valor.

Perspectivas para o segundo semestre

Analistas consultados pelo mercado avaliam que o segundo semestre deve ser de recuperação gradual, impulsionada pelo corte na taxa Selic, que deve ser anunciado na próxima reunião do Copom. "A queda dos juros deve dar fôlego à indústria, mas o efeito deve ser sentido apenas no quarto trimestre", projeta um especialista.

O IBGE também revisou os dados de abril e maio, que passaram de alta de 0,4% para 0,3% em abril, e de 0,9% para 0,8% em maio. A produção industrial acumula queda de 1,2% nos últimos 12 meses, ainda em território negativo.

Reação do mercado e próximos passos

O mercado financeiro reagiu de forma moderada ao dado, com o Ibovespa operando perto da estabilidade no início do pregão. O dólar comercial apresentava leve alta, cotado a R$ 5,60, enquanto os juros futuros recuavam, refletindo a expectativa de corte na Selic.

O resultado da produção industrial é um dos indicadores que o Banco Central leva em consideração para definir a política monetária. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 1º e 2 de agosto, e a expectativa majoritária é de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Para o ministro da Fazenda, o dado reforça a necessidade de reduzir os juros para estimular a atividade econômica. "A indústria não pode continuar sofrendo com juros elevados. Vamos trabalhar para que o Copom faça o corte necessário", declarou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar