Inflação de alimentos pesa e compromete vendas do varejo em maio
Inflação de alimentos pesa nas vendas do varejo em maio

As vendas do comércio varejista recuaram 0,3% em maio na comparação com abril, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O resultado veio pior do que a expectativa do mercado, que previa estabilidade. O desempenho foi puxado principalmente pelo setor de supermercados e hipermercados, que responde por mais da metade do índice e registrou queda de 0,8% no período.

Alimentos mais caros reduzem poder de compra

A inflação dos alimentos foi o principal fator por trás da retração. O IPCA de maio mostrou alta de 0,46% nos preços dos alimentos no domicílio, acumulando 8,2% em 12 meses. Itens como arroz, feijão, carnes e leite tiveram aumentos significativos, reduzindo o poder de compra das famílias. "O consumidor está comprando menos quantidade ou substituindo por marcas mais baratas", afirmou em nota o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Endividamento das famílias atinge recorde

Além da inflação, o alto endividamento das famílias também pesou. Dados do Banco Central mostram que o comprometimento da renda com dívidas chegou a 30,2% em maio, o maior patamar da série histórica. "As famílias estão mais cautelosas e priorizando o pagamento de dívidas em vez de novas compras", complementou Santos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Setores com desempenho positivo

Apesar da queda geral, alguns setores apresentaram alta. O segmento de móveis e eletrodomésticos cresceu 1,2% em maio, impulsionado por promoções e pela demanda por produtos de linha branca. O setor de combustíveis e lubrificantes também teve aumento de 0,5%, refletindo a alta nos preços dos derivados de petróleo. Já o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, caiu 0,1% no mês.

Comparação com o mesmo mês de 2025

Na comparação com maio de 2025, as vendas do varejo restrito tiveram alta de 1,8%. No acumulado do ano (janeiro a maio), o crescimento é de 2,1%. O IBGE destaca, porém, que a base de comparação é baixa, já que em 2025 o setor ainda sofria os efeitos da pandemia e dos juros altos. "O cenário ainda é de recuperação gradual, mas a inflação dos alimentos é um obstáculo relevante", avaliou Santos.

Perspectivas para os próximos meses

Economistas consultados pelo Valor projetam que o varejo deve encerrar 2026 com crescimento entre 1,5% e 2%, abaixo das previsões anteriores. A alta dos juros, que deve continuar subindo para conter a inflação, e o endividamento das famílias são os principais riscos. "O segundo semestre tende a ser mais fraco, com a expectativa de que o Banco Central eleve a Selic para 14,25% ao ano", disse o economista-chefe da consultoria ABC, Paulo Guedes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar