Faturamento da construção cai 3,4% no semestre
Faturamento da construção cai 3,4% no semestre

O faturamento da indústria de materiais de construção caiu 3,4% no primeiro semestre de 2026, alcançando R$ 68,2 bilhões, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O resultado representa uma perda de R$ 2,4 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

Desempenho por segmento

Entre os setores analisados, o segmento de revestimentos cerâmicos registrou a maior queda, com retração de 7,1% no faturamento. Já o setor de tintas e vernizes apresentou recuo de 5,2%, enquanto os materiais hidráulicos e elétricos tiveram queda de 3,8%. O único segmento com crescimento foi o de materiais para infraestrutura, que avançou 1,5% no período.

Causas da retração

Segundo a Abramat, a redução do faturamento é reflexo direto do aperto nas condições de crédito e da manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. “O crédito imobiliário e o financiamento para reformas estão mais caros e restritos, o que desestimula a demanda”, afirmou o presidente da associação, Rodrigo Navarro.

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Navarro também destacou que a inflação dos materiais de construção, embora moderada, ainda pressiona o orçamento das famílias. “O custo dos insumos continua alto, e isso impacta diretamente a decisão de construir ou reformar”, completou.

Perspectivas para o segundo semestre

A Abramat projeta que o faturamento do setor encerre 2026 com queda entre 2% e 4%, dependendo da evolução dos juros e da liberação de crédito. A associação espera que a redução da Selic no segundo semestre possa estimular a demanda, mas ainda há incertezas.

“Se houver um corte consistente na taxa de juros, podemos ver uma recuperação gradual a partir de setembro”, disse Navarro. No entanto, ele alertou que o mercado de trabalho e a renda das famílias continuam desafios importantes para o setor.

Impacto regional

Regionalmente, a queda foi mais acentuada nas regiões Norte e Nordeste, com retrações de 5,2% e 4,8%, respectivamente. No Sudeste, a redução foi de 3,1%, enquanto no Sul e Centro-Oeste as quedas foram de 2,9% e 2,5%.

Os dados da Abramat consideram uma amostra de 120 empresas associadas, que representam cerca de 70% do faturamento total da indústria de materiais de construção no Brasil.

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