O calendário eleitoral de 2022 não é visto como um obstáculo para os leilões de infraestrutura programados pelo governo federal. Segundo um levantamento do Ministério da Infraestrutura, a maioria dos investidores consultados afirmou que a realização das eleições presidenciais não afetará suas decisões de participar dos certames. O estudo ouviu 45 fundos de pensão, gestoras de ativos e construtoras nacionais e internacionais.
Confiança no programa de concessões
De acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a pesquisa mostra que o ambiente de negócios brasileiro amadureceu. "Os investidores reconhecem a estabilidade regulatória e a segurança jurídica dos contratos de concessão. A agenda de infraestrutura é suprapartidária e não sofre solução de continuidade com a troca de governo", afirmou o ministro em entrevista coletiva.
O levantamento indica que 78% dos entrevistados consideram o risco político como "baixo" ou "muito baixo" para os leilões. Apenas 12% apontaram o cenário eleitoral como um fator de preocupação relevante. O governo prevê realizar ao menos 12 leilões de rodovias, ferrovias e portos até o fim de 2022.
Carteira de projetos atrai capital estrangeiro
Entre os projetos mais aguardados estão a concessão da BR-381 em Minas Gerais, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e o arrendamento de terminais portuários no Pará e no Espírito Santo. O investimento total estimado para a carteira é de R$ 90 bilhões em outorgas e obras. Segundo a pesquisa, 63% dos investidores estrangeiros disseram estar dispostos a aumentar sua exposição ao país independentemente do resultado das urnas.
A confiança também se reflete na diversificação de interessados. Entre os participantes dos últimos leilões, houve um crescimento de 40% no número de empresas asiáticas e europeias em relação a 2020. O Ministério da Infraestrutura destaca que o programa de concessões tem mantido um calendário regular, com prazos definidos e editais publicados com antecedência.
Setor privado como motor do crescimento
A visão dos investidores é corroborada por estudos de entidades do setor. A Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) projeta que os investimentos privados em infraestrutura devem somar R$ 120 bilhões em 2022, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. "A eleição não deve interromper esse fluxo, pois os projetos são estruturados com garantias sólidas e taxas de retorno atrativas", diz o presidente da Abdib, Venilton Tadini.
No entanto, alguns analistas ponderam que a retórica de campanha pode gerar ruídos de curto prazo. "Se houver propostas de revisão de contratos ou mudanças no marco regulatório, o mercado pode reagir negativamente. Mas o cenário mais provável é de continuidade", afirma o economista-chefe de uma consultoria internacional, que preferiu não ser identificado.
A despeito das incertezas típicas de ano eleitoral, o governo mantém o cronograma. O próximo leilão está marcado para setembro, com a concessão de um lote de rodovias no Rio Grande do Sul. O edital já foi publicado e a sessão pública ocorrerá na B3, em São Paulo. O Ministério da Infraestrutura espera arrecadar R$ 500 milhões em outorgas fixas nesse certame.



