Os estoques de imóveis cresceram 44% na cidade de São Paulo e 8% no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em balanço divulgado em 28 de julho. Em números absolutos, o estoque nacional atingiu 351 mil unidades, enquanto na capital paulista chegou a 89 mil unidades, na comparação entre janeiro e maio de 2026 e o mesmo período de 2025.
Vendas e lançamentos continuam em expansão
Apesar do avanço dos estoques, o mercado imobiliário mantém ritmo positivo. No Brasil, as vendas de imóveis cresceram 4% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, totalizando 111 mil unidades. Em São Paulo, o aumento foi de 9% nos primeiros cinco meses, com 103 mil unidades vendidas. Os lançamentos na capital paulista também subiram 11%, chegando a 53 mil unidades, embora em âmbito nacional tenham caído 5% (98 mil unidades), após forte alta no ano anterior.
Crédito imobiliário avança 23%
O crédito imobiliário financiou cerca de 680 mil imóveis no primeiro semestre, com alta de 23% nas concessões para construção e aquisição. Os financiamentos via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cresceram 22%, somando R$ 77,6 bilhões, enquanto as operações com recursos da poupança aumentaram 12%.
Abecip não vê excesso de oferta, mas alerta para distratos
Para Michel Cury, presidente da Abecip, o estoque deve ser acompanhado, mas não representa excesso de oferta. “O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta”, afirmou. Ele destacou que o mercado passa por ajustes naturais entre lançamentos e absorção. Contudo, a taxa média de distratos sobre vendas nos últimos 12 meses subiu de 4,5% em 2024 para 4,8% em 2026. “Quando olhamos para a parte dos distratos, notem que tem um ligeiro aumento aqui no ano de 2026. É uma pequena elevação. Não tem uma conclusão imediata aqui de deterioração. O indicador precisa ficar em alerta”, disse durante a apresentação.
O que explica o aumento dos estoques?
Embora a Abecip não tenha detalhado a composição dos estoques por segmento, os dados sugerem que a oferta cresce mais rápido que a absorção, especialmente em São Paulo, onde os lançamentos avançaram 11%, as vendas 9% e os estoques dispararam 44%. Uma hipótese é que incorporadoras continuam apostando em demanda sustentada por bons indicadores de emprego e renda, além da expansão dos financiamentos do FGTS e do Minha Casa, Minha Vida.
Mercado otimista, mas monitora juros
Apesar da leitura positiva, o setor reconhece que a trajetória dos juros exige atenção. A Abecip aponta que as curvas de juros de médio e longo prazo subiram no primeiro semestre, elevando custos de captação. No entanto, Cury afirmou: “A gente não vê uma redução da disponibilidade de crédito”. A entidade não projeta impactos relevantes no curto prazo, mas o monitoramento continua.



