Irã ataca EUA e Arábia Saudita; trégua acaba e petróleo dispara
Irã ataca EUA e Arábia Saudita; trégua acaba e petróleo sobe

Na noite de terça-feira, o Irã lançou vários mísseis balísticos contra tropas americanas na região, enquanto os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente posições de milícias apoiadas por Teerã no Iraque. Os ataques puseram fim abrupto a uma trégua de hostilidades que durava dias, elevando novamente as tensões no Oriente Médio.

Cronologia dos ataques e resposta

Os Estados Unidos e o Irã haviam suspendido os ataques no final da semana passada para dar espaço à diplomacia, o que levou a uma queda significativa nos preços da energia. No entanto, na terça-feira à noite, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado drones lançados por grupos iraquianos que tinham como alvo suas instalações petrolíferas pelo segundo dia consecutivo. Pouco depois, os militares dos EUA disseram que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disparou vários mísseis balísticos do Irã contra tropas americanas na região, com todos os projéteis sendo interceptados. Segundo a mídia iraniana, a Guarda Revolucionária atacou uma base na Jordânia em resposta a “ações agressivas dos EUA”, sem fornecer detalhes.

Retaliação conjunta EUA-Arábia Saudita

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente armas e outros locais pertencentes a “terroristas alinhados ao Irã” no Iraque, conforme informou o exército americano. De acordo com os americanos, a Guarda Revolucionária Islâmica teria ordenado que essas mesmas milícias lançassem mais de 30 ataques com drones nos últimos dias. Os recentes confrontos demonstram o quão distantes o Irã e os EUA estão de reiniciar formalmente as negociações de paz, muito menos de chegar a um acordo para encerrar permanentemente a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.

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Impacto no mercado de petróleo

O petróleo teve uma alta expressiva na quarta-feira, com o Brent subindo quase 4%, para US$ 87,10 o barril. Isso eleva seu ganho acumulado em julho para 20%, embora ainda esteja bem abaixo do patamar de US$ 100 atingido na quinta-feira anterior, pouco antes de os Estados Unidos e o Irã suspenderem os ataques mútuos. O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, com quase nenhum navio transitando por ali – pelo menos nenhum com seus transponders ligados. No início da quarta-feira, a agência de notícias estatal iraniana IRIB informou que a Guarda Revolucionária Islâmica alegou ter “atingido e imobilizado” três petroleiros nas últimas horas, que estariam “navegando por uma rota insegura e ilegal”.

Falha nas negociações com Omã

As negociações entre o Irã e Omã para aumentar o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, uma via vital para o fluxo de energia e outras commodities como alumínio e hélio, parecem ter fracassado. Segundo a mídia iraniana, negociadores iranianos rejeitaram uma proposta omanita para a abertura de um canal controlado igualmente por ambos os países. Em vez disso, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã deseja ter controle exclusivo sobre as embarcações que entram no Golfo Pérsico. Omã esperava poder fazer uma declaração nos próximos dias sinalizando progresso, informou a Bloomberg na segunda-feira. Autoridades omanitas acreditam que um acordo de transporte marítimo com o Irã permitiria que Washington e Teerã voltassem à mesa de negociações.

Milícias iraquianas entram na luta

A decisão das milícias iraquianas de se juntarem ao conflito aumenta o risco de uma nova frente se abrir e da guerra se intensificar. Não se sabe que a Arábia Saudita tenha atacado território iraquiano nos últimos anos. O Irã financia e treina grupos militantes xiitas no Iraque, seu vizinho ocidental, desde cerca de 2003, quando a invasão dos EUA derrubou o ditador Saddam Hussein e mergulhou o país árabe no caos. Washington está tentando diluir a influência do Irã sobre esses grupos. Este mês, na Casa Branca, o presidente Trump recebeu o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que prometeu tentar desarmar as milícias. Elas continuam poderosas – tanto política quanto militarmente – e muitas delas têm membros que são parlamentares eleitos.

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O Irã negou qualquer envolvimento nos ataques de grupos iraquianos contra a Arábia Saudita. “Atribuir todas as ações contra os interesses dos EUA na região à República Islâmica do Irã é um grande erro de cálculo”, afirmou uma fonte não identificada, segundo a agência de notícias IRIB.

Nova frente no Iêmen e Bab el-Mandeb

As ações das milícias iraquianas seguem-se a ataques contra instalações petrolíferas e navios sauditas no Mar Vermelho, perpetrados pelos houthis, um grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. A organização islâmica anunciou um bloqueio aos portos sauditas e atacou alguns navios na semana passada. Em seguida, as forças do reino atacaram posições militares dos houthis, e o grupo retaliou disparando drones e mísseis contra as cidades portuárias sauditas de Yanbu e Jizan no sábado. As operações dos Houthis abriram uma nova frente na guerra e podem efetivamente fechar o estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, outro importante ponto de estrangulamento para os mercados globais de petróleo e gás natural liquefeito. Embora alguns navios ainda estejam atravessando o Estreito de Bab el-Mandeb, vários outros já deram meia-volta.