Consórcio para empresas: como planejar expansão sem juros
Consórcio para empresas: expansão sem juros

Renovar veículos, ampliar a frota ou investir em novos equipamentos faz parte dos planos de crescimento de muitas empresas. O desafio é equilibrar esses investimentos com a necessidade de manter recursos disponíveis para a operação do dia a dia.

Nesse cenário, o consórcio para empresas tem ganhado espaço como uma alternativa para financiar a expansão dos negócios de forma planejada. Para entender quando essa modalidade faz sentido, quais bens podem ser adquiridos e os principais cuidados antes da contratação, o InfoMoney conversou com Sebastião Cirelli, diretor de consórcios da Rodobens, e Bruno Borges, CMO do Mycon Consórcios.

Consórcio no planejamento financeiro da empresa

Manter o capital de giro é fundamental para a saúde financeira do negócio, e essa é justamente uma das vantagens do consórcio para empresas. Como destaca Borges, a operação permite que a empresa adquira veículos sem desembolso inicial de capital próprio e sem entrada. “Isso dilui o investimento em parcelas mensais previsíveis, preservando o caixa para a operação”, reforça o CMO do Mycon.

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Por sua vez, Cirelli observa que, quando a empresa é contemplada, recebe a carta de crédito para comprar o bem em condições semelhantes às de um pagamento à vista, o que amplia o poder de negociação com fornecedores. “A expansão da frota pode acontecer de forma escalonada e alinhada ao crescimento da empresa”, diz o diretor da Rodobens. Na prática, é possível programar as aquisições de forma gradual, com cotas ao longo do tempo.

Quando o consórcio faz mais sentido do que o financiamento

Tudo depende do planejamento e das necessidades do negócio. Como explica Borges, o custo total do consórcio é menor ao longo do contrato, pois a operação não tem juros – somente taxa de administração. Logo, a modalidade se mostra mais adequada para projetos de expansão programados, como renovação de frota, abertura de novas unidades ou aquisição futura de equipamentos.

Para empresas que precisam acelerar esse processo, ainda existe a possibilidade de antecipar a contemplação por meio de lances, desde que essa estratégia faça parte do planejamento financeiro desde a contratação. Como destaca Sebastião Cirelli, o ideal é alinhar o momento esperado para receber a carta de crédito à necessidade real do negócio, evitando que a aquisição ocorra antes ou depois do necessário.

Quais bens uma empresa costuma comprar com consórcio

O foco das empresas que buscam consórcios costuma ser a expansão do negócio, diz Cirelli. Entre os bens, destacam-se veículos leves para uso corporativo, utilitários, vans, caminhões e implementos rodoviários. Dependendo do setor, também podem entrar na lista tratores, colheitadeiras, equipamentos agrícolas, máquinas de construção e ativos industriais.

Outra aplicação relevante do consórcio para empresas é a compra de imóveis comerciais, galpões e terrenos, que podem apoiar projetos de expansão. Nesses casos, observa Borges, o ganho financeiro frente ao financiamento fica mais evidente, já que os valores das operações são mais altos.

Erros mais comuns ao usar o consórcio para expandir o negócio

Ambos os entrevistados afirmam que a principal falha é enxergar o consórcio como uma solução de curto prazo. Como a contemplação depende de sorteio ou lance, a modalidade funciona melhor quando faz parte de um planejamento de médio e longo prazo.

Outro erro frequente é contratar a carta de crédito sem considerar a evolução do negócio. Segundo Bruno Borges, o valor precisa acompanhar o bem que a empresa pretende adquirir até o momento da contemplação. Também é importante avaliar se o fluxo de caixa comporta o pagamento das parcelas durante todo o contrato.

Na avaliação de Cirelli, muitas empresas também deixam de definir uma estratégia para a contemplação. Isso inclui não pensar no lance ou não alinhar a contratação do consórcio ao momento em que efetivamente precisarão dos bens.

Quando esses fatores são considerados desde o início, o consórcio funciona como um instrumento de planejamento dos investimentos, e não apenas como uma alternativa de crédito.

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Resumo: o que avaliar antes de contratar um consórcio

  • Defina quando o bem será necessário: O consórcio é mais indicado para aquisições planejadas, e não para necessidades imediatas.
  • Escolha o valor adequado da carta de crédito: Considere o preço do bem no momento em que pretende comprá-lo, e não apenas o valor atual.
  • Verifique o impacto no fluxo de caixa: As parcelas devem caber no orçamento da empresa sem comprometer a operação.
  • Planeje a estratégia de lances: Se houver urgência, defina desde o início quanto poderá oferecer para antecipar a contemplação.
  • Pense na expansão como um processo: Quem pretende ampliar a frota gradualmente pode contratar mais de uma cota e escalonar as aquisições conforme o crescimento do negócio.