Vacância de escritórios no Rio atinge menor patamar em dez anos
Vacância de escritórios no Rio é a menor em dez anos

A taxa de vacância de escritórios na cidade do Rio de Janeiro caiu para 11,5% no segundo trimestre de 2026, o menor índice dos últimos dez anos, de acordo com relatório da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield. O número representa uma redução de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando a vacância era de 13,8%. Essa é a primeira vez desde 2016 que o indicador fica abaixo de 12%.

Demanda aquecida impulsiona queda

O aquecimento do mercado de escritórios carioca é atribuído principalmente à retomada do crescimento econômico e ao aumento da demanda por espaços corporativos de alto padrão. Setores como tecnologia, serviços financeiros e consultorias têm liderado a absorção de áreas, especialmente nos bairros do Centro, Barra da Tijuca e Zona Sul. Segundo o relatório, a absorção líquida no segundo trimestre foi de 45 mil metros quadrados, o maior volume desde o início da série histórica em 2015.

O diretor de pesquisas da Cushman & Wakefield no Rio, Carlos Mendes, afirmou que o mercado está passando por um momento de reequilíbrio. “A combinação de oferta controlada e demanda crescente tem gerado uma contração na vacância. Empresas que antes operavam em home office estão retornando aos escritórios, mas com exigências de maior qualidade e localização”, explicou.

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Regiões e tipologias em destaque

O Centro do Rio continua sendo a região com maior volume de escritórios, mas a vacância na área caiu para 10,8%, impulsionada pela revitalização da região portuária e pela presença de empresas de tecnologia. Já a Barra da Tijuca registrou vacância de 9,2%, a menor entre as principais zonas, com forte demanda de empresas de serviços e coworkings. Na Zona Sul, a vacância ficou em 12,5%, com destaque para o bairro de Botafogo, que atrai startups e fintechs.

Os edifícios classificados como AAA, de alto padrão construtivo e localização privilegiada, são os mais procurados. A vacância nessa categoria é de apenas 6%, enquanto imóveis de padrão inferior ainda enfrentam dificuldades, com vacância acima de 15%. O relatório aponta que a oferta de novos empreendimentos é limitada, com apenas três novos projetos previstos para entrega até 2028, todos já com parte da área locada.

Perspectivas para o mercado

As perspectivas para o mercado de escritórios do Rio são positivas para os próximos trimestres. A consultoria projeta que a vacância continue caindo, podendo chegar a 10% no final de 2027, caso a economia mantenha o ritmo de crescimento. No entanto, alerta para os riscos de uma desaceleração global, que poderia frear a demanda. Além disso, a alta dos juros e a inflação podem impactar os custos de locação.

O mercado de escritórios também reflete tendências pós-pandemia, como a preferência por espaços flexíveis e sustentáveis. Empresas buscam locações que ofereçam certificações ambientais, como LEED e Aqua, e que permitam adaptação a modelos híbridos de trabalho. Segundo Carlos Mendes, “a qualidade do espaço se tornou um diferencial competitivo para atrair talentos e produtividade”.

O levantamento da Cushman & Wakefield considera 1.200 edifícios corporativos na cidade, totalizando 4,5 milhões de metros quadrados de área locável. O estudo mostra que o estoque de escritórios permaneceu estável no período, com apenas 15 mil metros quadrados adicionados ao mercado nos últimos 12 meses. Esse cenário de oferta enxuta contribui para a queda da vacância.

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