Economia do México cresce 1,5% no segundo trimestre e surpreende analistas
Economia do México cresce 1,5% no 2º trimestre

A economia do México deu sinais claros de recuperação no segundo trimestre de 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 1,5% em comparação ao trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI). O resultado superou as projeções de analistas consultados pelo Banco do México, que previam alta de 0,8%.

Desempenho setorial e consumo interno

O crescimento foi puxado principalmente pelo aumento de 1,8% no setor de serviços, que responde por mais de 60% da economia mexicana. O comércio, turismo e serviços financeiros foram os destaques. A indústria avançou 1,2%, impulsionada pela manufatura e construção. Já o setor agropecuário registrou alta modesta de 0,4%.

O consumo das famílias cresceu 2,1% no período, sustentado pela queda da inflação e pelo aumento do emprego formal. A taxa de desemprego recuou para 3,2%, o menor nível desde 2023. As remessas dos mexicanos no exterior também continuaram em alta, somando US$ 18 bilhões no trimestre.

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Investimentos e setor externo

O investimento fixo bruto subiu 2,5%, com destaque para máquinas e equipamentos. O governo mexicano atribuiu o avanço ao programa de incentivos fiscais para a indústria e à chegada de novos projetos de investimento estrangeiro, especialmente no setor automotivo e de energias renováveis.

As exportações totais cresceram 3,1% no trimestre, lideradas por automóveis, eletrônicos e produtos agrícolas. As importações também aumentaram, mas em ritmo menor (2,3%), gerando um superávit comercial de US$ 4,2 bilhões.

Reação de autoridades e analistas

O secretário de Economia, Juan Carlos Baker, afirmou que os números mostram que a economia mexicana está em trajetória sólida. “A recuperação é consistente e tem bases amplas. Estamos vendo um crescimento mais equilibrado entre consumo, investimento e setor externo”, disse Baker em entrevista coletiva. Ele também destacou que a previsão do governo para o PIB de 2026 foi revisada para cima, de 2,0% para 2,5%.

Analistas do banco J.P. Morgan, no entanto, alertam que a desaceleração da economia dos Estados Unidos e a incerteza sobre a reforma tributária podem representar riscos para o segundo semestre. “O ritmo de crescimento pode perder força se a demanda externa cair e se as condições financeiras domésticas se apertarem”, comentou a economista-chefe para América Latina, Gabriela Siller.

Perspectivas para o restante do ano

Apesar do otimismo, o Banco do México manteve a taxa básica de juros em 7,50% ao ano, sinalizando cautela. A inflação anual fechou junho em 4,1%, dentro da meta de 3% a 4%, mas ainda pressionada por serviços e alimentos. A expectativa é que o PIB mexicano cresça cerca de 2,3% em 2026, segundo o consenso de mercado.

O país também se beneficia do fenômeno de relocalização de cadeias produtivas (nearshoring), que trouxe investimentos recordes de US$ 32 bilhões no primeiro semestre, segundo a Secretaria de Economia. Esse fluxo deve continuar contribuindo para o crescimento industrial e de serviços nos próximos trimestres.

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