Romênia explode rochas para desviar Danúbio e salvar usina nuclear
Romênia explode rochas para desviar Danúbio e salvar usina

A Marinha da Romênia executou explosões controladas em rochas no canal de Bala, no rio Danúbio, com o objetivo de redirecionar o fluxo de água para a usina nuclear de Cernavoda, em Izvoarele. A operação, ocorrida em 3 de agosto de 2026, busca garantir o resfriamento do reator nuclear diante da grave seca que afeta a região, evitando um colapso no fornecimento de energia.

Operação de emergência no Danúbio

As detonações foram realizadas pela Marinha romena em um trecho do canal de Bala, onde rochas obstruíam a passagem da água. Com a remoção dessas barreiras, espera-se que um volume maior de água do Danúbio seja canalizado para o sistema de refrigeração da usina de Cernavoda, que opera com reatores do tipo CANDU, dependentes de água para manter a temperatura sob controle.

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a medida foi tomada em caráter emergencial, após os níveis do Danúbio atingirem patamares criticamente baixos, ameaçando a operação da usina, que responde por cerca de 20% da eletricidade consumida na Romênia. A falta de resfriamento adequado poderia forçar a paralisação do reator, agravando ainda mais a crise energética no país.

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Impacto energético e reação da Hungria

A situação na Romênia ocorre em meio a uma onda de calor extremo e seca prolongada que atinge o leste europeu. Enquanto isso, a vizinha Hungria informou que poderá manter sua única usina nuclear, em Paks, funcionando por mais dois dias, graças a reservas de água disponíveis. A declaração foi feita por autoridades húngaras, que monitoram de perto os níveis do Danúbio, rio que também abastece a usina de Paks.

Especialistas alertam que a competição por água do Danúbio entre os países ribeirinhos pode se intensificar, caso a seca persista. A Romênia, por sua vez, afirmou que as explosões controladas são uma medida de curto prazo e que estudos de longo prazo estão em andamento para garantir a segurança hídrica da usina de Cernavoda.

Contexto de crise climática

A operação no canal de Bala é vista como um exemplo extremo dos desafios impostos pelas mudanças climáticas à infraestrutura energética. Nos últimos anos, a região dos Bálcãs tem registrado verões mais quentes e secos, reduzindo a vazão de rios essenciais para a geração de energia e o resfriamento de instalações nucleares.

Autoridades romenas não descartam novas intervenções no leito do Danúbio, caso os níveis de água continuem caindo. A usina de Cernavoda é considerada estratégica para a segurança energética do país, e qualquer interrupção em sua operação teria impactos significativos na rede elétrica nacional.

Até o momento, não há relatos de danos ambientais significativos decorrentes das explosões, mas organizações ambientalistas já pedem que as autoridades avaliem os impactos ecológicos da medida na fauna e flora local do delta do Danúbio.

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