O petróleo Brent, referência internacional, fechou a semana com alta acumulada de 15%, cotado a US$ 85 o barril, impulsionado pela retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico. O conflito elevou os temores de interrupção no fornecimento global da commodity, que já operava sob pressão de cortes de produção da Opep+.
Contexto geopolítico e impacto imediato
Na última segunda-feira, forças navais dos EUA interceptaram um petroleiro iraniano suspeito de transportar petróleo para a Síria, em violação a sanções internacionais. O Irã respondeu com ataques a drones americanos na região, elevando a tensão a níveis não vistos desde 2023. O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, afirmou que "os ataques iranianos são inaceitáveis e terão consequências". Em resposta, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Reação dos mercados e projeções
O preço do barril disparou ao longo da semana, com picos de 5% em um único dia. Analistas do Goldman Sachs elevaram a previsão de curto prazo para US$ 90 o barril, caso o estreito seja bloqueado. "O mercado está precificando um prêmio de risco significativo. Qualquer interrupção no fluxo do Golfo Pérsico pode elevar o petróleo para dois dígitos", disse o analista sênior John Smith. A alta também contaminou derivados, como gasolina e diesel, nos EUA e Europa.
Impacto na economia global
A escalada do petróleo pressiona as cadeias de suprimento e a inflação global. O Banco Central Europeu já havia alertado que o encarecimento da energia poderia adiar cortes de juros. No Brasil, a Petrobras ainda não anunciou reajustes, mas o mercado projeta aumento de até 10% nos combustíveis nas próximas semanas, afetando o IPCA. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo monitora a situação e pode adotar medidas para conter impactos internos.
Perspectivas de curto prazo
Diplomatas da ONU tentam mediar um cessar-fogo, mas as negociações estão estagnadas. Enquanto isso, a Opep+ mantém cortes de produção de 2 milhões de barris por dia, o que agrava a oferta apertada. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que os estoques globais estão no menor nível em cinco anos, e a demanda deve crescer 1,5% em 2026. "Estamos em uma situação de oferta muito enxuta. Qualquer choque pode ter consequências severas", afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol.



