O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu a renovação das cotas de importação de kits para veículos elétricos e híbridos, destacando que a medida beneficia consumidores e a produção local. A declaração foi feita após o governo prorrogar a isenção até o final do ano, sob pressão da montadora chinesa BYD, que está instalando uma fábrica na Bahia.
Detalhes da medida
A prorrogação mantém a isenção de impostos para a importação de kits CKD (completamente desmontados) e SKD (semi-desmontados) de veículos elétricos e híbridos. A medida, que venceria em junho, foi estendida até 31 de dezembro. Segundo o ministério, o objetivo é incentivar a montagem e fabricação desses veículos no Brasil, gerando empregos e tecnologia.
"Quem quiser produzir aqui terá apoio do governo. A isenção é uma ponte para que as empresas se estabeleçam e passem a fabricar localmente", afirmou Márcio Elias Rosa em entrevista coletiva.
Impacto para consumidores e indústria
O ministro ressaltou que a medida beneficia diretamente os consumidores, que terão acesso a veículos com preços mais competitivos. "Sem a isenção, os carros elétricos ficariam mais caros, desestimulando a adoção de tecnologias limpas", explicou.
Por outro lado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) se opõe à prorrogação, alegando que a concorrência com importados prejudica a indústria nacional. A entidade argumenta que as montadoras locais já investem em eletrificação e precisam de proteção contra importações subsidiadas.
Pressão da BYD
A decisão do governo ocorre após forte lobby da BYD, que anunciou investimentos de R$ 3 bilhões em uma fábrica em Camaçari, na Bahia. A empresa chinesa planeja iniciar a produção de veículos elétricos no Brasil em 2025 e defendia a manutenção das cotas para viabilizar suas operações durante a transição.
"A BYD é um exemplo de como a isenção pode atrair investimentos e gerar empregos. Estamos comprometidos em apoiar empresas que queiram produzir no Brasil", disse o ministro.
Próximos passos
A prorrogação vale até o fim de 2026, mas o governo já estuda uma política de longo prazo para veículos elétricos. O MDIC planeja criar um programa de incentivos à produção local, com exigências de conteúdo nacional progressivas. A expectativa é que, nos próximos anos, as montadoras instaladas no país substituam gradualmente as importações por produção própria.



