Rubens Ometto luta para manter R$ 90 milhões na Raízen
Ometto luta para manter R$ 90 milhões na Raízen

O empresário Rubens Ometto está em uma batalha para manter sua remuneração anual de R$ 90 milhões como presidente do conselho da Raízen, a gigante do setor de energia. A cifra, uma das mais altas entre executivos de empresas listadas no Brasil, tem gerado controvérsia entre acionistas e membros do conselho de administração.

Detalhes da remuneração

Segundo fontes próximas às negociações, Ometto recebe atualmente cerca de R$ 7,5 milhões por mês, o que totaliza R$ 90 milhões ao ano. Esse valor inclui salário, bônus e benefícios. A remuneração foi estabelecida em 2023, quando a empresa passou por uma reestruturação societária.

O contrato de Ometto como presidente do conselho tem vigência até 2026, mas ele já iniciou conversas para estender o acordo por mais alguns anos. A proposta enfrenta resistência de investidores institucionais e de conselheiros independentes, que consideram o valor excessivo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Resistência de acionistas

Um dos principais pontos de conflito é a comparação com a remuneração de outros executivos do setor. Enquanto Ometto recebe R$ 90 milhões, o CEO da Cosan, empresa controladora da Raízen, tem remuneração total de cerca de R$ 30 milhões. “A diferença é gritante e difícil de justificar”, afirmou um conselheiro sob condição de anonimato.

Além disso, a Raízen enfrenta desafios financeiros, com dívida líquida de R$ 28 bilhões e margens pressionadas pela volatilidade dos preços do açúcar e do etanol. “Em um momento de aperto, manter uma remuneração tão alta pode ser mal visto pelo mercado”, disse um analista do setor.

Estratégia de Ometto

Rubens Ometto, que também é um dos maiores acionistas individuais da companhia, argumenta que sua remuneração reflete a complexidade e o porte dos negócios da Raízen. A empresa é uma das maiores produtoras de etanol e açúcar do mundo, com faturamento de R$ 120 bilhões em 2025.

Ele também destaca seu papel na negociação de parcerias estratégicas, como o acordo com a chinesa BYD para produção de etanol de segunda geração. “Sem minha atuação, a Raízen não teria conseguido essas parcerias”, disse Ometto em reunião com acionistas.

Próximos passos

A decisão sobre a extensão da remuneração deve ser tomada na assembleia geral de acionistas marcada para agosto. Para aprovar a proposta, Ometto precisará do apoio de pelo menos 50% dos acionistas presentes. Ele já conta com o voto favorável de fundos ligados à Cosan, mas a oposição de investidores estrangeiros pode dificultar a aprovação.

Caso a extensão não seja aprovada, Ometto pode deixar o cargo de presidente do conselho em 2026, o que abriria uma sucessão na liderança da Raízen. A empresa já iniciou um processo de seleção de possíveis substitutos, mas nenhum nome foi oficialmente divulgado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar