O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal que não podia permanecer desarmado durante o cumprimento de prisão domiciliar porque “tinha três mulheres em casa”. A declaração foi registrada no inquérito que investiga a apreensão de uma arma de fogo pertencente a ele durante uma blitz de trânsito em Brasília, em junho de 2026.
Depoimento e justificativa de Bolsonaro
No depoimento, Bolsonaro argumentou que a posse da arma era necessária para garantir a segurança de sua residência, onde vivem três mulheres — sua esposa, Michelle Bolsonaro, e duas filhas. Ele disse que, mesmo em prisão domiciliar, não se sentia seguro sem o armamento. A declaração foi destacada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação sobre o caso.
Contexto da apreensão e possíveis consequências
A arma foi apreendida em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Distrito Federal, quando Bolsonaro estava em deslocamento. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde maio de 2026, após decisão do STF, em decorrência de investigações sobre supostas tentativas de desestabilizar o processo eleitoral. A posse de arma de fogo durante o regime domiciliar pode configurar falta grave, o que poderia levar à revogação do benefício e à transferência para o regime fechado.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, encaminhou o depoimento à PGR para que se manifeste sobre a gravidade da conduta. Segundo especialistas, a posse de arma sem autorização judicial durante prisão domiciliar viola as condições impostas pelo tribunal. A defesa de Bolsonaro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o teor do depoimento.
Reações e próximos passos
A declaração gerou reações diversas no meio político e jurídico. Aliados do ex-presidente argumentam que a justificativa é plausível, enquanto críticos apontam que a posse de arma por alguém em prisão domiciliar representa risco à segurança pública e desrespeito à ordem judicial. A PGR tem prazo de 15 dias para se manifestar, após o que o STF decidirá sobre eventual falta grave.
O caso acrescenta mais um capítulo à série de embates judiciais envolvendo Bolsonaro, que já responde a outros processos no STF e na Justiça Eleitoral. A decisão sobre a prisão domiciliar pode impactar diretamente o cenário político, uma vez que o ex-presidente mantém influência sobre parte do eleitorado conservador.



