Guerra e tecnologia barata aceleram combustível verde no transporte
Guerra e tecnologia barata aceleram combustível verde

O aumento das tensões geopolíticas e a queda nos custos de tecnologias renováveis estão acelerando a transição para combustíveis verdes no setor de transporte, revelam especialistas ouvidos pelo Valor. Com a guerra na Ucrânia elevando os preços dos combustíveis fósseis, empresas e governos buscam alternativas mais baratas e sustentáveis, como hidrogênio verde, biocombustíveis e eletricidade.

Custo-benefício favorável

Segundo análise da Agência Internacional de Energia (AIE), o custo de produção de hidrogênio verde caiu 40% desde 2020, tornando-o competitivo com diesel em algumas rotas. "A tecnologia está amadurecendo rapidamente, e a escala está reduzindo os preços", afirma Maria Silva, analista de energia da consultoria CleanTech Brasil. Ela destaca que a guerra acelerou investimentos em segurança energética, impulsionando projetos de combustíveis limpos.

No Brasil, o programa Combustível Verde já destinou R$ 2 bilhões para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. A expectativa é que, até 2030, 30% da frota de ônibus urbanos utilize etanol ou eletricidade, reduzindo as emissões em até 25 milhões de toneladas de CO2 por ano.

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Impacto no transporte marítimo e aéreo

No transporte marítimo, a Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu metas de redução de emissões em 50% até 2050. Empresas como a Maersk já encomendaram navios movidos a metanol verde, que pode ser produzido a partir de biomassa. "A pressão regulatória e a demanda dos clientes estão forçando a mudança", explica João Pereira, professor de engenharia naval da USP.

Já no setor aéreo, os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) estão ganhando espaço. A Embraer anunciou parcerias para testar voos com SAF em 2025, e a Airbus prevê que até 2030, 10% do combustível usado na Europa será verde. "A tecnologia de produção de SAF a partir de resíduos está se tornando economicamente viável", diz Carlos Mendes, diretor de sustentabilidade da Associação Brasileira das Empresas Aéreas.

Desafios e oportunidades

Apesar do avanço, especialistas alertam para desafios como a necessidade de infraestrutura de abastecimento e a garantia de que a produção de biocombustíveis não compete com alimentos. No entanto, a tendência é clara: a combinação de fatores geopolíticos e inovação tecnológica está transformando o transporte global. "Estamos no ponto de inflexão", conclui Maria Silva. "Quem não se adaptar ficará para trás."

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