Primeiro voo experimental do FTL-Perseu
Uma empresa de São José dos Campos, no interior de São Paulo, desenvolveu uma tecnologia que pode ajudar o Brasil, no futuro, a lançar satélites sem depender de tecnologia estrangeira. Trata-se de um sistema de combustível líquido para impulsionar o foguete durante o voo, um avanço que já passou pelo primeiro voo experimental e deve passar por mais testes, ainda sem data definida.
O primeiro voo do FTL-Perseu, desenvolvido pela Bizu Space, aconteceu em 29 de maio, em Virgínia (MG). Segundo a empresa, foi o primeiro foguete brasileiro movido exclusivamente por combustível líquido.
Vantagens do propelente líquido
Segundo Mariana Marciano, engenheira química da Bizu Space, o propelente líquido permite controlar o motor do foguete durante o voo com muito mais precisão do que a tecnologia usada hoje no Brasil. "Hoje, o Brasil desenvolve satélites, mas depende de foguetes de outros países para colocá-los em órbita. Com essa tecnologia, damos um passo importante para mudar esse cenário", afirmou.
Os satélites são usados em serviços como internet, telecomunicações, previsão do tempo e monitoramento ambiental.
Homenagem a Fernando de Mendonça
Nesta semana, a empresa divulgou que Fernando de Mendonça, fundador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), assinou o foguete aos 101 anos, em uma homenagem. Ele é considerado um dos principais responsáveis pela criação do programa espacial brasileiro.
Para Mariana, dominar a propulsão líquida também abre caminho para desafios ainda maiores do programa espacial brasileiro. "Hoje estamos falando de satélites, mas é essa mesma tecnologia que, no futuro, pode permitir que foguetes brasileiros levem astronautas ao espaço. Ainda é um objetivo para as próximas décadas, mas tudo começa com esse primeiro passo."
Reconhecimento da Agência Espacial Brasileira
Ao g1, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a propulsão a combustível líquido é um avanço importante para o Programa Espacial Brasileiro, já que os lançadores modernos utilizam esse tipo de tecnologia por oferecer maior desempenho e precisão. Apesar disso, a agência destacou que ela é apenas uma das etapas necessárias para que o Brasil tenha autonomia para lançar satélites, o que também exige o desenvolvimento de outras tecnologias, infraestrutura adequada e investimentos de longo prazo.
"O desenvolvimento de sistemas de propulsão líquida representa, de fato, um avanço importante e estratégico para a autonomia brasileira no lançamento de satélites. Além do ganho em desempenho dos veículos lançadores, essa tecnologia reduz a dependência externa em um segmento sujeito a restrições internacionais de transferência tecnológica, permitindo ao País projetar, desenvolver e operar sistemas espaciais mais complexos", disse a agência em nota.
Outras iniciativas no Vale do Paraíba
Em maio, o g1 mostrou que empresas do Vale do Paraíba participam do desenvolvimento do MLBR, foguete brasileiro que pretende chegar à órbita. A expectativa é que uma das próximas versões do veículo utilize o motor líquido desenvolvido pela empresa.



