Vale-refeição nunca durou tão pouco: menos de 15 dias, aponta pesquisa
Vale-refeição: duração cai para menos de 15 dias

O vale-refeição dos brasileiros nunca durou tão pouco: em média, o benefício cobre apenas 13 dias do mês, o que representa menos da metade do período de 30 dias. É o que aponta uma pesquisa inédita da Associação Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), divulgada nesta quarta-feira (29).

Duração do benefício cai para menos da metade do mês

De acordo com o levantamento, a duração média do vale-refeição em 2026 é de 13 dias, uma queda de 45% em relação ao ano anterior, quando o benefício durava 24 dias. “Os valores nominais dos vouchers não acompanharam a inflação dos alimentos, que acumula alta de 12% nos últimos 12 meses. Com isso, o trabalhador precisa complementar a refeição com recursos próprios”, explica José Carlos Santos, economista-chefe da ABBT.

Inflação corrói poder de compra

A pesquisa ouviu 2 mil trabalhadores de todas as regiões do país entre maio e junho de 2026. Entre os entrevistados, 78% afirmaram que o vale-refeição não cobre o mês inteiro, e 62% disseram que precisam gastar mais do que o benefício para se alimentar adequadamente. “O vale-refeição perdeu sua função original, que era garantir pelo menos uma refeição por dia útil. Hoje, ele mal cobre 13 dias”, afirma Santos.

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Impacto no orçamento familiar

A redução do poder de compra do vale-refeição impacta diretamente o orçamento das famílias. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o gasto com alimentação fora de casa representa 12% do orçamento médio das famílias brasileiras. Com a diminuição do benefício, os trabalhadores têm que arcar com uma parcela maior desses custos. “Isso significa menos dinheiro para outras despesas, como lazer, educação e saúde”, completa o economista.

Reação das empresas

As empresas, por sua vez, alegam que o aumento dos custos com alimentação as impede de reajustar os valores dos vouchers na mesma proporção da inflação. “As companhias estão pressionadas pelos custos operacionais, e o vale-refeição é um dos benefícios que mais sofre com esse desequilíbrio”, diz Santos. A ABBT recomenda que os empregadores busquem negociar com as operadoras de benefícios e reavaliem periodicamente os valores concedidos.

Perspectivas

Para 2027, a expectativa é de que a duração do vale-refeição continue encolhendo, a menos que haja uma combinação de controle da inflação e reajustes nos valores dos vouchers. “Sem medidas efetivas, o benefício pode se tornar simbólico, deixando de cumprir seu papel social”, alerta o economista. A pesquisa completa da ABBT pode ser acessada no site da associação.

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