Tornado atinge três municípios do Noroeste do RS
Um tornado atingiu três municípios do Noroeste do Rio Grande do Sul no início da noite da última terça-feira (28), deixando sete pessoas feridas e um rastro de destruição. As rajadas de vento destelharam casas, derrubaram árvores e postes e também deixaram animais feridos. Segundo a Defesa Civil do estado, o tornado ocorreu por volta das 18h25 e foi identificado por imagens do radar meteorológico de Chapecó, em Santa Catarina, a mais de 200 quilômetros de distância.
O fenômeno foi gerado por uma supercélula, um tipo de tempestade intensa que pode provocar granizo grande, fortes rajadas de vento e, em algumas situações, tornados. A nuvem que deu origem ao tornado é denominada supercélula, caracterizada pela presença de um mesociclone, uma corrente de ar ascendente e giratória localizada no interior da nuvem.
O que é um tornado?
Os tornados são fenômenos atmosféricos menores, mas muito intensos. Eles surgem geralmente de tempestades severas em áreas com grandes variações de vento. No caso do Rio Grande do Sul, uma frente fria avançou pelo estado e encontrou uma atmosfera quente e úmida, favorecendo a formação de nuvens de tempestade muito carregadas. Dentro de uma dessas nuvens, uma corrente de ar começou a girar e deu origem a uma supercélula. A rotação se intensificou e um funil desceu da base da nuvem; quando esse funil tocou o solo, passou a ser classificado como tornado.
A meteorologia consegue identificar quando há condições favoráveis para tempestades severas, mas ainda não é possível indicar com precisão o ponto em que um tornado vai se formar ou tocar o solo. Enquanto um ciclone pode ter centenas ou até mais de mil quilômetros de extensão, um tornado costuma ter algumas dezenas ou centenas de metros de largura quando toca o solo.
Diferenças entre tornado, ciclone e furacão
Apesar de estarem relacionados, esses fenômenos não são a mesma coisa. Há diferenças importantes na escala, na duração e na forma como cada um se desenvolve. Em escala, o tornado é um fenômeno menor e costuma atingir uma faixa estreita. Já uma tempestade ou um ciclone pode se espalhar por centenas de quilômetros. Quanto à duração, os tornados geralmente permanecem no solo por poucos minutos, enquanto uma tempestade pode durar horas e um ciclone pode atuar durante vários dias.
Em termos de potência, apesar de pequeno, o tornado concentra ventos muito intensos em uma área limitada, podendo destruir uma casa e deixar outra, localizada a pouca distância, praticamente intacta. Já os ciclones são sistemas de baixa pressão atmosférica que puxam o ar quente e úmido da superfície para cima, formando nuvens de chuva.
Ciclones extratropicais e tropicais
Os ciclones extratropicais movimentam massas de ar de temperaturas diferentes, quentes e frias, e surgem em latitudes médias do planeta, como no Atlântico Sul. Já os ciclones tropicais, conhecidos como furacões ou tufões, formam-se em regiões equatoriais sobre os oceanos, retirando energia do calor dos mares. Furacões são o nome dado a ciclones tropicais que atingem regiões específicas. Um único furacão atingiu a América do Sul até o momento: o Catarina, em 2004, que deixou 11 mortos e causou danos significativos no sul de Santa Catarina, com ventos de 200 km/h.
Em resumo, os ciclones tropicais (furacões e tufões) se formam em águas quentes próximas à Linha do Equador, com temperatura do mar de pelo menos 27°C. Os extratropicais surgem pelo contraste de temperaturas de massas de ar, e os subtropicais possuem características de ambos.
Os fenômenos estão ficando mais frequentes no Brasil?
Os ciclones extratropicais são comuns na Região Sul do Brasil, principalmente durante a passagem de frentes frias. As mudanças climáticas podem tornar alguns eventos extremos mais intensos e favorecer condições para tempestades severas, mas não é possível atribuir cada ciclone ou tornado diretamente ao aquecimento global. Estudos indicam que uma atmosfera mais quente armazena mais umidade e energia, o que pode intensificar chuvas, tempestades, secas e ondas de calor.
No caso dos tornados, há mais incertezas. Por serem fenômenos pequenos, rápidos e difíceis de registrar, não existe uma série histórica completa que permita afirmar com segurança que eles estejam aumentando no Brasil. Além disso, o avanço dos radares meteorológicos, câmeras de celular e redes sociais pode explicar parte do crescimento no número de registros, pois fenômenos que antes passavam despercebidos agora são identificados.



