A tokenização de ativos pode ser um caminho para democratizar o acesso a investimentos, reduzindo barreiras como custos elevados e burocracia, de acordo com especialistas ouvidos em evento da XP Investimentos. A tecnologia, que transforma direitos sobre ativos em tokens digitais negociáveis, permite que investidores de diferentes portes participem de mercados antes restritos a grandes players.
O que é tokenização e como funciona
A tokenização consiste em representar ativos reais, como imóveis, obras de arte, títulos públicos ou participações em empresas, em tokens digitais registrados em blockchain. Esses tokens podem ser fracionados, permitindo que investidores comprem frações de um ativo, tornando o investimento mais acessível. Segundo especialistas, isso reduz o valor mínimo de entrada, que em alguns casos pode cair de milhões para centenas de reais.
Um exemplo citado é o mercado imobiliário: um imóvel avaliado em R$ 1 milhão pode ser tokenizado em 1.000 tokens de R$ 1.000 cada, permitindo que pequenos investidores participem. Além disso, a negociação desses tokens pode ocorrer em plataformas digitais, com liquidez potencialmente maior do que a de ativos físicos.
Benefícios e desafios da tecnologia
Entre os benefícios, os especialistas destacam a transparência proporcionada pela blockchain, que registra todas as transações de forma imutável, e a redução de intermediários, o que pode diminuir custos operacionais. Além disso, a tokenização pode ampliar o acesso a mercados internacionais e a ativos alternativos, como fundos de private equity e venture capital.
Por outro lado, há desafios regulatórios e de infraestrutura. Ainda não há uma regulamentação específica no Brasil para tokens de ativos, embora a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já tenha se manifestado sobre o tema, indicando que alguns tokens podem ser considerados valores mobiliários. A falta de padronização e a necessidade de educação do investidor também são pontos de atenção.
Potencial de crescimento no Brasil
No Brasil, a tokenização ainda está em estágio inicial, mas o potencial é grande. Segundo dados apresentados no evento, o mercado global de ativos tokenizados pode alcançar trilhões de dólares nos próximos anos. No cenário nacional, plataformas como a da XP já oferecem produtos tokenizados, e a tendência é que a oferta aumente.
“A tokenização pode ser um divisor de águas para o investidor brasileiro, que muitas vezes é excluído de oportunidades por falta de capital ou acesso”, afirmou um dos palestrantes, que preferiu não ter o nome divulgado. Ele ressaltou que a educação financeira e a regulação adequada são fundamentais para que a tecnologia seja adotada de forma segura.
Impacto para o investidor comum
Para o investidor comum, a principal mudança é a possibilidade de diversificar a carteira com ativos que antes eram inacessíveis. Com a tokenização, é possível investir em imóveis, arte, agronegócio, entre outros, com valores menores e maior flexibilidade. Além disso, a liquidez pode ser maior, pois os tokens podem ser negociados em mercados secundários.
No entanto, os especialistas alertam que é essencial que o investidor entenda os riscos, como a volatilidade dos ativos subjacentes e a possibilidade de fraudes em projetos mal estruturados. A due diligence e a escolha de plataformas regulamentadas são recomendadas.
O futuro da tokenização
A expectativa é que, com a evolução da regulação e o amadurecimento do mercado, a tokenização se torne uma alternativa comum de investimento no Brasil. A parceria entre fintechs, bancos e corretoras deve impulsionar o desenvolvimento de novos produtos. A XP, por exemplo, já estuda ampliar sua oferta de tokens, incluindo fundos e títulos públicos.
“Estamos apenas no começo. A tokenização tem o potencial de transformar o mercado de capitais, tornando-o mais inclusivo e eficiente”, concluiu o especialista. O evento reuniu investidores e profissionais do setor para discutir as tendências para os próximos anos.



