A Tenda, incorporadora do grupo Gafisa, divulgou nesta quarta-feira (4) seu balanço do segundo trimestre de 2026, com lucro líquido de R$ 17,91 milhões, uma queda de 12,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia registrou lucro de R$ 20,4 milhões. A informação foi apresentada em release enviado ao mercado.
Desempenho financeiro e operacional
A receita líquida da companhia somou R$ 456,7 milhões no trimestre, alta de 12% na comparação anual. O crescimento foi puxado principalmente pelo aumento das vendas de imóveis, que atingiram R$ 512,3 milhões, 15% acima do registrado no segundo trimestre de 2025. As vendas líquidas, descontadas as distratos, totalizaram R$ 478,9 milhões, com aumento de 18%.
O indicador de vendas sobre oferta (VSO) ficou em 34,5%, acima dos 31,2% do mesmo período do ano anterior, refletindo a aceleração do ritmo de vendas. A companhia entregou 2.847 unidades no trimestre, volume 9% maior que o de um ano antes.
Margens e custos
A margem bruta da Tenda atingiu 24,8% no segundo trimestre, uma expansão de 1,9 ponto percentual ante os 22,9% do segundo trimestre de 2025. Segundo a empresa, o ganho de margem decorreu da maior eficiência operacional e da redução do custo de construção por metro quadrado.
O custo médio de construção ficou em R$ 2.458 por metro quadrado, 3,2% menor que o do mesmo período do ano passado. A companhia atribuiu a redução à otimização de projetos e à negociação com fornecedores.
Endividamento e caixa
A dívida líquida da Tenda encerrou o trimestre em R$ 1,2 bilhão, um aumento de 4% em relação ao trimestre anterior, mas com um indicador dívida líquida sobre patrimônio líquido de 24,5%, considerado confortável pela administração. A posição de caixa e equivalentes somava R$ 684 milhões.
"Os resultados do trimestre refletem o amadurecimento do nosso plano de negócios, com foco em rentabilidade e geração de caixa", afirmou o presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, no release. "Seguimos confiantes na demanda por imóveis econômicos, que permanece aquecida, e vamos continuar investindo em lançamentos nos próximos trimestres."
Lançamentos e perspectivas
No segundo trimestre, a Tenda lançou 12 novos empreendimentos, totalizando R$ 684 milhões em valor geral de vendas (VGV), um crescimento de 22% sobre o mesmo período de 2025. A companhia manteve a projeção de lançamentos para o ano entre R$ 2,8 bilhões e R$ 3,2 bilhões.
"O mercado de baixa renda continua sendo o mais resiliente, e nossa capacidade de execução é um diferencial competitivo", acrescentou Osmo. A companhia também informou que não há mudanças na orientação de entregas para o ano, mantida entre 10 mil e 11 mil unidades.
Análise e contexto
Analistas do setor imobiliário avaliam que a queda no lucro, apesar do aumento de receita, pode ser explicada por maiores despesas financeiras e pelo reconhecimento contábil de provisões. A empresa, no entanto, destacou a melhora na geração de caixa operacional, que somou R$ 87 milhões no trimestre, revertendo o consumo de caixa de R$ 42 milhões do ano anterior.
As ações da Tenda (TEND3) fecharam o pregão desta quarta-feira em alta de 2,3%, cotadas a R$ 12,40, refletindo a recepção positiva do mercado aos números. No acumulado do ano, os papéis ainda acumulam queda de 11%, mas a empresa aposta na retomada do setor para recuperar valor.



