A Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, anunciou um plano ambicioso para se consolidar como uma grande varejista no segmento de eletrônicos. A empresa, tradicionalmente focada em telecomunicações, busca diversificar suas fontes de receita e aproveitar sua capilaridade de lojas e base de clientes para competir com gigantes do varejo.
Estratégia de varejo eletrônico
O CEO da Telefônica Brasil, em entrevista exclusiva, detalhou a nova estratégia. “Queremos ser referência no mercado de eletrônicos, assim como somos em telecomunicações”, afirmou. A meta é que as vendas de eletrônicos representem 30% da receita total da empresa até 2028, ante os atuais 15%. Para isso, a companhia planeja expandir seu portfólio de produtos, incluindo smartphones, tablets, notebooks, acessórios e dispositivos para casa inteligente.
A empresa já opera 1.200 lojas próprias em todo o Brasil e pretende reformar parte delas para oferecer uma experiência mais imersiva, com áreas de demonstração e atendimento personalizado. Além disso, a Telefônica Brasil investirá em seu canal online, integrando a loja virtual com sua plataforma de serviços digitais.
Parcerias e canais de venda
Para acelerar a expansão, a Telefônica Brasil fechou parcerias estratégicas com grandes fabricantes, como Samsung, Apple, Lenovo e Xiaomi. Essas alianças garantem acesso a produtos em primeira mão e condições especiais de preço. A empresa também pretende oferecer planos de financiamento próprios e combos que incluem serviços de telecomunicação, como internet e telefonia, atrelados à compra de aparelhos.
“A ideia é criar um ecossistema completo para o consumidor, onde ele encontra desde o smartphone até o plano de dados, tudo em um só lugar”, explicou o diretor de varejo da companhia. A estratégia já começa a dar frutos: no segundo trimestre de 2026, as vendas de eletrônicos cresceram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Impacto no mercado e concorrência
A movimentação da Telefônica Brasil acirra a competição no varejo de eletrônicos, dominado por empresas como Magazine Luiza, Americanas e Amazon. Analistas do setor apontam que a entrada de uma operadora de telecomunicações com forte presença física e digital pode pressionar margens e forçar uma reação dos concorrentes.
Segundo dados da consultoria Gartner, o mercado brasileiro de eletrônicos movimentou R$ 120 bilhões em 2025, com previsão de crescimento de 8% ao ano. A Telefônica Brasil espera capturar uma fatia de 5% desse mercado até 2028, o que representaria um acréscimo de R$ 6 bilhões em receita anual.
A iniciativa também está alinhada à estratégia global da Telefônica, que busca transformar suas operações em plataformas de serviços digitais. Na Espanha e em outros países da América Latina, a empresa já iniciou movimentos semelhantes, com resultados positivos.
Desafios e próximos passos
Apesar do otimismo, a Telefônica Brasil enfrenta desafios significativos, como a logística de distribuição e a gestão de estoques em um segmento de alta rotatividade. Para superar essas barreiras, a empresa investirá em centros de distribuição dedicados e em sistemas de inteligência artificial para prever demanda.
“Não subestimamos a complexidade do varejo, mas temos capilaridade, marca forte e uma base de 100 milhões de clientes que nos dá vantagem competitiva”, afirmou o CEO. A companhia também planeja lançar uma campanha de marketing agressiva nos próximos meses, com foco em mídias digitais e televisão.
Com essa iniciativa, a Telefônica Brasil se posiciona como um player relevante no varejo de eletrônicos, desafiando a lógica tradicional do setor e apostando na convergência entre telecomunicações e comércio.



