A Siemens Energy, uma das principais fornecedoras globais de tecnologia de energia, anunciou nesta quinta-feira que seu lucro líquido atingiu 123 milhões de euros no segundo trimestre do ano fiscal de 2026, um aumento de mais de três vezes em comparação aos 41 milhões de euros registrados no mesmo período do ano anterior.
Pedidos e receita em níveis recordes
A empresa alemã, que se separou da Siemens AG em 2020, reportou que os pedidos recebidos no trimestre somaram 12,4 bilhões de euros, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior, impulsionados principalmente pela forte demanda por equipamentos de transmissão de energia e serviços de manutenção. A receita também atingiu um recorde de 9,8 bilhões de euros, alta de 18%.
O desempenho superou as expectativas dos analistas, que projetavam lucro de cerca de 90 milhões de euros e receita de 9,5 bilhões. As ações da companhia subiram mais de 5% na bolsa de Frankfurt após a divulgação dos resultados.
Impacto no setor de energia
A Siemens Energy tem se beneficiado da transição energética global, com governos e empresas investindo em infraestrutura para integrar fontes renováveis, como eólica e solar, e modernizar as redes elétricas. A divisão de tecnologia de rede, que inclui transformadores e sistemas de automação, cresceu 32% em pedidos, enquanto a divisão de geração de energia, que inclui turbinas a gás, viu um aumento de 15%.
O CEO da empresa, Christian Bruch, afirmou em comunicado: "Nossos resultados refletem a forte execução da nossa estratégia e a demanda crescente por soluções de energia confiáveis e sustentáveis. Estamos confiantes de que continuaremos a crescer de forma lucrativa."
Perspectivas futuras
Para o ano fiscal de 2026, a Siemens Energy manteve a orientação de crescimento de receita entre 12% e 16%, e espera uma margem de lucro operacional (EBIT) entre 4% e 6%. A empresa também anunciou que planeja investir 1,2 bilhão de euros em capacidade de produção, especialmente em fábricas de transformadores e eletrolisadores para hidrogênio verde.
Analistas do setor veem a Siemens Energy como uma das principais beneficiárias do plano de investimento de 800 bilhões de euros da União Europeia em redes de energia até 2030. No entanto, a empresa ainda enfrenta desafios, como a concorrência crescente de fabricantes asiáticos e a volatilidade nos preços das matérias-primas.
Comparação com concorrentes
No mesmo período, a GE Vernova, sua principal concorrente americana, reportou lucro de 280 milhões de dólares, enquanto a japonesa Mitsubishi Heavy Industries teve lucro de 150 milhões de dólares. A Siemens Energy, no entanto, se diferencia por sua forte presença no mercado europeu e na área de transmissão de energia.
O resultado positivo vem após um período turbulento, quando a empresa quase faliu em 2023 devido a problemas em sua divisão de turbinas eólicas. Desde então, a companhia passou por uma reestruturação, cortando custos e focando em áreas mais lucrativas.
Reações do mercado
Os investidores receberam bem as notícias, e a ação da Siemens Energy acumula alta de 45% no ano. O banco JPMorgan elevou a recomendação para "overweight", citando a forte carteira de pedidos e a melhora na rentabilidade.
A empresa também anunciou que vai retomar o pagamento de dividendos no próximo ano, após dois anos de suspensão, o que deve atrair mais investidores. O conselho de administração propôs um dividendo de 0,30 euros por ação, sujeito à aprovação dos acionistas.
Com a demanda por energia crescendo globalmente, a Siemens Energy se posiciona para continuar colhendo os frutos da transição energética, mas precisa manter a disciplina financeira e a inovação para sustentar seu crescimento no longo prazo.



