A Sandoz, divisão de genéricos e biossimilares da Novartis, anunciou sua entrada no mercado de semaglutida com o lançamento de Owozy, um biossimilar do princípio ativo utilizado em medicamentos como Ozempic e Wegovy. A iniciativa é realizada em parceria com o laboratório Adalvo, que atuará no desenvolvimento e fornecimento do produto para o Brasil.
Parceria estratégica
De acordo com a Sandoz, a colaboração com a Adalvo combina a expertise da companhia suíça em comercialização e distribuição de biossimilares com a capacidade de produção da farmacêutica portuguesa. O acordo prevê que a Adalvo seja responsável pela fabricação do Owozy, enquanto a Sandoz cuidará da aprovação regulatória, registro e comercialização no país.
“Estamos entusiasmados em trazer uma opção acessível e de alta qualidade para pacientes que necessitam de tratamentos com semaglutida”, afirmou o presidente da Sandoz Brasil, em comunicado oficial. “A parceria com a Adalvo nos permite acelerar o acesso a esse biossimilar, contribuindo para a sustentabilidade do sistema de saúde.”
O que é a semaglutida?
A semaglutida é um análogo do hormônio GLP-1, indicado para o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2 e para a redução de peso em casos de obesidade. Originalmente desenvolvida pela Novo Nordisk, a molécula se tornou um dos medicamentos mais vendidos no mundo, com demanda crescente impulsionada pelo uso off-label para emagrecimento.
Com o lançamento de Owozy, a Sandoz busca competir nesse mercado bilionário, oferecendo uma alternativa biossimilar que, segundo a empresa, tem potencial para reduzir custos em até 30% em comparação aos medicamentos de referência. A estimativa é baseada em estudos de impacto econômico realizados pela consultoria IQVIA, que apontam que a introdução de biossimilares pode gerar economias significativas para sistemas de saúde pública e privada.
Impacto no mercado brasileiro
O Brasil representa um dos maiores mercados de medicamentos para diabetes e obesidade na América Latina. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que mais de 16 milhões de brasileiros vivem com diabetes, e cerca de 60% da população adulta apresenta sobrepeso ou obesidade. Nesse cenário, a chegada de um biossimilar de semaglutida é vista como um marco para ampliar o acesso a terapias eficazes.
A Sandoz já protocolou o pedido de registro do Owozy na Anvisa e aguarda aprovação, que deve ocorrer nos próximos meses. A empresa não divulgou previsão de preço, mas afirmou que a estratégia comercial será definida após a autorização regulatória. Especialistas do setor farmacêutico avaliam que a concorrência pode pressionar os preços dos medicamentos originais, beneficiando consumidores e planos de saúde.
Desafios e perspectivas
Apesar do potencial, a entrada no mercado de semaglutida enfrenta barreiras, como a proteção patentária ainda vigente para alguns usos da molécula. A Sandoz, no entanto, afirma que o Owozy foi desenvolvido dentro do marco regulatório de biossimilares, respeitando os direitos de propriedade intelectual. A empresa também investe em capacidade produtiva para atender à demanda local e, futuramente, exportar para outros países da América Latina.
“Com o Owozy, reafirmamos nosso compromisso com a inovação e o acesso à saúde”, concluiu o executivo da Sandoz. A expectativa é de que o produto esteja disponível nas farmácias brasileiras a partir de 2025, sujeito à aprovação da Anvisa. O movimento consolida a Sandoz como player relevante no segmento de biossimilares, que já responde por mais de 30% de seu faturamento global.



