Samsung: lucro de chips sobe 250x e escassez de memória deve piorar
Samsung: lucro de chips sobe 250x e escassez deve piorar

A Samsung registrou um aumento de 250 vezes no lucro de sua divisão de semicondutores no segundo trimestre de 2026, alcançando 89,2 trilhões de won (US$ 62 bilhões) em lucro operacional, superando as estimativas dos analistas. A empresa prevê que a escassez de memória se agrave no próximo ano, estendendo-se até 2027, reflexo do ritmo implacável da construção global de infraestrutura de inteligência artificial (IA). A maioria dos grandes clientes já solicita contratos plurianuais a preços elevados, sinalizando a corrida para garantir componentes essenciais para data centers.

As ações da Samsung subiram até 8,4% no dia 30 de janeiro, antes de reduzir parte dos ganhos. Os comentários da empresa ecoaram os da SK Hynix, que no dia 29 de janeiro afirmou não ver desaceleração no ritmo do desenvolvimento da IA e da construção de data centers. No entanto, crescem os questionamentos sobre a viabilidade dos investimentos maciços no setor e a preocupação com os avanços tecnológicos de concorrentes chineses.

Demanda por memória de alta largura de banda impulsiona lucros

O apetite dos servidores de IA por memória de alta largura de banda (HBM) e armazenamento está gerando graves restrições de oferta, apesar dos esforços para aumentar a produção, afirmaram executivos da Samsung. O negócio de foundry (fundição) também ganha tração, contrastando com a unidade de dispositivos móveis e redes, que registrou a primeira perda da história do segmento.

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O vice-presidente Daniel Araujo afirmou que o aumento dos preços das memórias está criando um ambiente “excepcionalmente desafiador” para as operações de dispositivos móveis da Samsung. A empresa focará no segmento premium e aproveitará a demanda por celulares com IA para manter os preços médios de venda e os volumes ao longo do ano.

Quase todo o lucro veio dos chips, diz analista

Josh Gilbert, analista-chefe da Ásia-Pacífico e Oriente Médio da Etoro, destacou que quase todo o lucro do grupo veio dos chips. A unidade de eletrônicos de consumo registrou um prejuízo de 800 bilhões de won, após ser “comprimida pelos próprios preços dos componentes que impulsionam o boom dos semicondutores”.

Apesar dos lucros recordes, as ações das fabricantes de chips caíram nas últimas semanas. O aumento dos níveis de endividamento das empresas de tecnologia pesa na mente dos investidores, enquanto a alavancagem crescente ligada à Samsung e à SK Hynix — as duas ações mais valiosas da Coreia do Sul — turbina a volatilidade. No início da semana, a SK Hynix informou lucro operacional recorde de 60,5 trilhões de won, alta de 557%, mas ainda ficou abaixo das expectativas.

Contratos plurianuais se tornam norma no setor

Os contratos plurianuais estão se tornando cada vez mais a norma para as fabricantes de chips, demonstrando crescente poder de precificação e oferecendo proteção contra recessões. A SK Hynix já finalizou acordos de longo prazo com cerca de 10 clientes, enquanto a Samsung anunciou um contrato de mais de US$ 200 bilhões para fornecer chips à Broadcom até 2030. Esse acordo focará em tecnologias de processo avançado de 2 nanômetros para os produtos da Broadcom, expandindo a colaboração entre as empresas nas áreas de memória e fundição.

A Samsung afirmou que as taxas de utilização em suas linhas de fabricação avançadas são elevadas e que a empresa pretende alcançar crescimento de dois dígitos em suas operações de fundição.

Perspectivas e preocupações dos investidores

Jung In Yun, fundador da Fibonacci Asset Management Global, comentou: “A recuperação da Samsung e uma política de preços potencialmente mais agressiva podem pressionar a SK Hynix, enquanto os grandes investimentos em capacidade em toda a indústria manterão vivas as preocupações com uma futura correção na oferta. Neste mercado, lucros recordes já não são suficientes.”

James Fletcher, diretor de investimentos da Ethos Investment Management, em Salt Lake City, disse: “O mercado coreano tem sido genuinamente brutal neste mês. Mas minha leitura geral não mudou: os fundamentos desses negócios parecem tão sólidos quanto nas últimas duas décadas e, com o tempo, o mercado segue os fundamentos, mesmo quando o caminho é volátil.”

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