A reestruturação do funding do crédito imobiliário no Brasil representa um novo capítulo para o setor, com potencial de injetar bilhões de reais na economia e facilitar o acesso à moradia. A medida, que altera as regras de captação de recursos para financiamentos habitacionais, visa diversificar as fontes de funding e reduzir a dependência da poupança, tradicionalmente a principal origem dos recursos.
Mudanças nas regras de funding
As novas regras permitem que instituições financeiras utilizem instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) de forma mais ampla. Além disso, a criação de um novo título, a Letra Imobiliária Garantida (LIG), promete atrair investidores estrangeiros e institucionais. Segundo especialistas, a LIG oferece maior segurança, pois é lastreada por uma carteira de créditos imobiliários, reduzindo o risco para o investidor.
De acordo com o Banco Central, a expectativa é que a reestruturação aumente a oferta de crédito imobiliário em até 30% nos próximos anos. Atualmente, o financiamento habitacional representa cerca de 10% do PIB brasileiro, índice baixo comparado a países como Chile (20%) e Estados Unidos (70%). A medida busca aproximar o Brasil desses patamares.
Impacto para os compradores
Para os consumidores, a expectativa é de juros mais baixos e prazos mais longos. Com mais recursos disponíveis, os bancos podem reduzir as taxas de financiamento, que hoje giram em torno de 9% ao ano. Além disso, a diversificação do funding pode tornar o crédito menos suscetível a crises de liquidez, como a observada durante a pandemia, quando a captação da poupança caiu drasticamente.
"A reestruturação do funding é fundamental para dar sustentabilidade ao crédito imobiliário a longo prazo", afirma João Paulo de Oliveira, diretor da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). "Com novas fontes de recursos, podemos evitar os ciclos de aperto que travam o setor."
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, a implementação das novas regras enfrenta desafios. A adaptação dos sistemas dos bancos e a regulamentação detalhada dos novos títulos podem levar meses. Além disso, a aceitação do mercado, especialmente de investidores estrangeiros, dependerá da estabilidade econômica do país. O governo, por sua vez, trabalha em medidas complementares, como a reforma tributária, para simplificar a tributação dos investimentos imobiliários.
No longo prazo, a reestruturação do funding pode transformar o crédito imobiliário brasileiro, tornando-o mais robusto e acessível. O setor imobiliário, que responde por 7% do PIB e gera milhões de empregos, deve se beneficiar diretamente. A expectativa do mercado é de crescimento de 15% nas vendas de imóveis no próximo ano, impulsionado pelo novo ambiente de crédito.



