O setor de medicina oncológica no Brasil passa por uma reorganização. O avanço da Oncoclínicas, maior rede de tratamento de câncer do país, abriu espaço para que outras operadoras do segmento intensificassem a disputa por parcerias e novos mercados.
Disputa por parcerias
Um dos principais focos dessa disputa são os acordos com operadoras de planos de saúde e redes hospitalares. Com a Oncoclínicas cada vez mais seletiva em relação a novos contratos, pois prioriza regiões com maior densidade populacional e melhor retorno financeiro, outras redes passaram a oferecer condições mais atrativas para hospitais que desejam ter um serviço de oncologia de qualidade sem precisar investir em infraestrutura própria.
Essa dinâmica é particularmente visível em cidades de médio porte do interior, onde a Oncoclínicas não possui unidades. Nesses locais, grupos como o Grupo Oncologia D'Or, controlado pela Rede D'Or, e a AMO (Assistência Multidisciplinar em Oncologia), da Bahia, além de redes regionais como o CEPON em Santa Catarina, têm ampliado sua presença por meio de parcerias e aquisições.
Estratégias de crescimento
Enquanto a Oncoclínicas foca em crescimento orgânico e aquisições de alta complexidade, os concorrentes buscam diferenciais como atendimento humanizado, integração com a atenção primária e uso de tecnologia para monitoramento remoto de pacientes. Algumas redes também apostam na especialização em determinados tipos de câncer, como o de mama ou o de pulmão, para atrair médicos referências e fechar contratos com grandes empregadores.
Outro ponto estratégico é a verticalização. Redes maiores estão desenvolvendo seus próprios centros de diagnóstico e de radioterapia, reduzindo a dependência de terceiros e ampliando a margem de lucro. Isso torna a concorrência mais acirrada, especialmente com a entrada de fundos de investimento que injetam capital nesses negócios.
Impacto para pacientes e sistema de saúde
Para os pacientes, a disputa pode ser benéfica, pois amplia a oferta de serviços e, em alguns casos, reduz o tempo de espera para início do tratamento. No entanto, especialistas alertam para o risco de concentração de mercado. Se poucas redes dominarem a oncologia no país, os preços dos tratamentos podem subir e a qualidade pode variar conforme a região.
O mercado de oncologia é um dos que mais crescem no setor de saúde, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento da incidência de câncer. Estima-se que o número de novos casos cresça 25% até 2030, o que torna o setor extremamente atrativo para investidores. Diante desse cenário, a briga por participação no mercado deve se intensificar nos próximos anos, com novas fusões e aquisições já desenhadas nos bastidores.
Movimentações recentes
Nos últimos meses, pelo menos duas redes anunciaram expansão significativa. Uma delas firmou contrato com uma grande operadora nacional para atender seus beneficiários em três estados do Nordeste. Outra adquiriu uma clínica especializada em radiocirurgia em São Paulo, com a intenção de replicar o modelo em outras capitais.
Além disso, há um movimento crescente de médicos oncologistas que deixam grandes redes para abrir clínicas próprias, muitas vezes com apoio de fundos de private equity. Esse fenômeno, conhecido como “pequena Oncoclínicas”, também contribui para pulverizar o mercado e criar novas oportunidades de consolidação.
O que esperar
Analistas acompanham de perto os movimentos da Oncoclínicas e de seus principais concorrentes. A expectativa é que a rivalidade traga mais inovação e eficiência, mas também exija regulamentação mais clara por parte da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) para garantir padrões mínimos de qualidade.
Em resumo, o espaço aberto pela expansão da Oncoclínicas está longe de ser uma brecha pequena. Trata-se de um verdadeiro campo de batalha onde as redes de medicina oncológica estão dispostas a investir pesado para não ficar para trás.



