O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chega à convenção que oficializa sua candidatura à reeleição em uma posição oposta à de 2022. Se há quatro anos precisava se apresentar ao eleitor paulista, agora inicia a campanha como favorito nas pesquisas, à frente de uma coligação de 13 partidos e com a tarefa de defender o legado de sua gestão.
A convenção estadual será realizada neste sábado (1º), no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista. O evento vai homologar a candidatura do governador e também confirmar os nomes do Republicanos para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. A expectativa é reunir dirigentes dos partidos aliados e demonstrar a articulação política construída desde que ele assumiu o Palácio dos Bandeirantes.
Pesquisa reforça favoritismo
Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta semana aponta Tarcísio com 41% das intenções de voto, contra 26% do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). O cenário alimenta, entre aliados, a expectativa de uma vitória ainda no primeiro turno. Na campanha anterior, o então ex-ministro da Infraestrutura dependia da popularidade do ex-presidente Jair Bolsonaro para se tornar conhecido; agora, a própria aprovação à frente do Palácio dos Bandeirantes é o principal ativo eleitoral.
Essa mudança de papel se reflete na estratégia de comunicação. Nos bastidores, a orientação é reduzir o espaço de disputas ideológicas e concentrar o discurso em resultados administrativos, principalmente em áreas decisivas para o eleitor paulista, como segurança pública, saúde e infraestrutura. A avaliação da equipe é que a campanha será mais técnica do que propositiva, pois a vitrine será o desempenho do governo nos últimos quatro anos.
Coligação amplia tempo de rádio e TV
Além do Republicanos, a coligação de Tarcísio reúne Avante, Cidadania, MDB, Novo, PL, Podemos, PP, PRD, PSD, PSDB, Solidariedade e União Brasil. Na prática, essa composição dá ao governador cerca de 70% do tempo de propaganda eleitoral gratuita, conforme estimativa da campanha. Esse espaço será usado para explorar entregas da gestão e reforçar indicadores considerados positivos.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), participará da convenção e terá papel de destaque na campanha, principalmente na capital. Em 2022, Haddad venceu Tarcísio no segundo turno na cidade de São Paulo, e a aliança com o prefeito é vista como peça-chave para reverter essa vantagem no principal colégio eleitoral do estado.
Segurança e infraestrutura no centro
O plano de governo tem cerca de 200 páginas, mas a coordenação pretende concentrar a comunicação em eixos eleitoralmente mais eficientes. Estão nessa lista segurança pública, redução das filas do Sistema Único de Saúde (SUS), expansão da infraestrutura e melhorias na mobilidade urbana.
Na segurança, o documento enfatiza o aumento da sensação de proteção da população. O tema ganhou relevância diante de pesquisas nacionais que apontam a preocupação com a violência entre as principais demandas dos eleitores. Na infraestrutura, a campanha pretende destacar obras como a Linha 17-Ouro do Metrô, o trecho norte do Rodoanel, o Trem Intercidades e o processo de desestatização da Sabesp, considerada uma das marcas da administração desde 2023.
A coordenação técnica do programa de governo está sob responsabilidade da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, uma das principais formuladoras das políticas públicas implementadas pelo governo.
Flávio Bolsonaro divide palco, mas não o protagonismo
A convenção também contará com a presença do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A participação reforça a aliança entre os dois políticos, mas ocorre enquanto o Republicanos ainda discute, nacionalmente, qual posição adotará na disputa presidencial. Apesar da indefinição, a campanha paulista busca evitar que o cenário nacional se sobreponha à eleição estadual.
Nos bastidores, aliados afirmam que o principal patrimônio eleitoral de Tarcísio é a aprovação de seu governo. Por isso, a orientação é preservar a identidade própria construída em São Paulo, usando o apoio de lideranças nacionais como complemento, e não como eixo central da comunicação. A expectativa é que essa estratégia mantenha a campanha focada na gestão e distancie a disputa local das polarizações nacionais.



