A rede social Truth Social, de propriedade do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, começou a vender a bancos e corretoras um acesso mais rápido às publicações da plataforma. A iniciativa, revelada nesta quarta-feira (16), permite que instituições financeiras paguem para visualizar postagens antes do público geral, gerando debates sobre ética e privilégios no ambiente digital.
Detalhes do serviço premium
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, o serviço chamado 'Truth Social Premium Feed' oferece a corretores e bancos a capacidade de monitorar publicações em tempo real com uma latência reduzida. Enquanto usuários comuns veem as postagens com um atraso de alguns segundos, os assinantes pagantes têm acesso instantâneo. A empresa não divulgou oficialmente os valores cobrados, mas estimativas indicam que os pacotes podem custar dezenas de milhares de dólares por mês.
Um porta-voz da Truth Social confirmou a existência do programa, afirmando que ele 'visa atender às necessidades de clientes corporativos que exigem informações em tempo real para suas operações'. A plataforma argumenta que a prática é comum em outras redes sociais, como o Twitter (agora X), que oferece APIs premium com acesso prioritário a dados.
Repercussão e críticas
A medida gerou críticas de especialistas em tecnologia e reguladores. 'Isso cria um campo de jogo desigual, onde grandes players financeiros têm vantagem sobre o investidor comum', disse John Smith, analista do Centro de Finanças Digitais. 'A transparência do mercado pode ser comprometida se informações relevantes chegarem primeiro a quem paga.'
Segundo dados internos vazados, a Truth Social tem cerca de 5 milhões de usuários ativos mensais, número modesto comparado a concorrentes como X (com mais de 300 milhões). No entanto, a base de usuários inclui figuras políticas e influenciadores conservadores, o que torna o conteúdo relevante para traders que buscam antecipar movimentos de mercado.
Posição da empresa
A Truth Social defende que o serviço não viola regras de mercado de capitais, pois as publicações continuam disponíveis para todos, ainda que com atraso. 'Não estamos vendendo informações privilegiadas, apenas velocidade de entrega', afirmou o porta-voz. A empresa também destacou que a receita adicional ajudará a financiar melhorias na plataforma.
Especialistas em compliance, no entanto, alertam que a prática pode atrair a atenção da Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA, especialmente se postagens de Trump ou de outros políticos influentes forem comercializadas. 'A linha entre dado público e vantagem informacional é tênue', ressaltou Maria Silva, professora de direito financeiro.
Contexto e próximos passos
A iniciativa ocorre em meio à tentativa da Truth Social de se tornar lucrativa, após perder US$ 50 milhões no último trimestre. A empresa, que abriu capital via fusão com uma SPAC em 2024, busca novas fontes de receita além da publicidade. A venda de acesso prioritário a instituições financeiras é uma estratégia ousada que pode abrir precedentes para outras plataformas.
Até o momento, bancos como Goldman Sachs e JPMorgan Chase não comentaram se aderiram ao serviço. A Truth Social planeja expandir o programa para incluir fundos de hedge e empresas de mídia nos próximos meses.



