Quase metade dos brasileiros consulta IA antes de comprar
Quase metade dos brasileiros consulta IA antes de comprar

Quase metade dos brasileiros consulta um assistente de inteligência artificial antes de decidir uma compra. Essa é a nova realidade que redefine o primeiro contato entre consumidores e marcas. O que aparece na tela não é publicidade nem indicação de conhecido: é uma síntese do que já foi publicado sobre a empresa, gerada por um sistema que ninguém controla diretamente.

O novo funil de vendas começa na IA

Pesquisas recentes indicam que 47% dos consumidores no Brasil utilizam ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, para obter recomendações e avaliações de produtos antes de fechar uma compra. Esse comportamento transforma os assistentes virtuais em gatekeepers digitais, responsáveis por formar a primeira impressão sobre uma marca.

Segundo especialistas em marketing digital, a participação ativa das empresas nas conversas conduzidas por essas IAs é fundamental para fortalecer a reputação e a autoridade da marca. Isso porque, quando um usuário pergunta sobre um produto ou serviço, a IA coleta informações de fontes públicas — sites, redes sociais, fóruns e notícias — e elabora uma resposta consolidada. Se a marca não estiver bem representada nesses canais, a recomendação pode ser desfavorável ou até mesmo ignorada.

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Impacto direto nas vendas e na percepção

O impacto dessa tendência é significativo. Uma avaliação negativa ou a ausência de menções pode resultar em perda de vendas, enquanto uma presença bem gerenciada pode aumentar a confiança do consumidor. Dados de uma pesquisa da consultoria Gartner indicam que, até 2026, 30% das interações com marcas serão mediadas por IA, o que reforça a urgência de as empresas se adaptarem.

“As marcas que não estiverem preparadas para dialogar com as IAs perderão espaço no momento decisivo da compra”, alerta Carlos Mendes, analista de tendências de consumo. “A recomendação gerada pela IA é percebida como neutra e confiável, o que a torna mais persuasiva do que um anúncio tradicional.”

Estratégias para marcas se destacarem

Para garantir uma presença positiva nas respostas das IAs, as empresas precisam adotar estratégias específicas. Isso inclui produzir conteúdo de qualidade em seus canais oficiais, manter perfis ativos em redes sociais, responder a avaliações e participar de fóruns relevantes. Além disso, é essencial monitorar o que as IAs dizem sobre a marca e corrigir informações desatualizadas ou incorretas.

A transparência também é um fator-chave. As IAs tendem a priorizar informações claras e consistentes, então marcas que comunicam seus valores e diferenciais de forma objetiva têm mais chances de serem citadas positivamente. Especialistas recomendam ainda o uso de dados estruturados, como schema.org, para facilitar a leitura e interpretação por parte dos algoritmos.

O futuro da relação consumidor-marca

Essa mudança não é passageira. A adoção de assistentes de IA cresce rapidamente, especialmente entre as gerações mais jovens, que já nasceram em um ambiente digital. À medida que a tecnologia se torna mais integrada ao cotidiano, a opinião gerada por IA tende a se consolidar como a principal fonte de informação para decisões de compra.

Portanto, as empresas que desejam permanecer competitivas precisam tratar a IA como um novo canal de relacionamento com o cliente, investindo em estratégias de marketing e comunicação que considerem essa nova dinâmica. A primeira opinião sobre uma empresa já não vem de um humano, mas de um algoritmo — e saber gerenciar essa percepção é o novo desafio para os negócios no Brasil.

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