Pesquisas da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) confirmam uma mudança estrutural no comportamento do comprador de imóveis. Fatores ligados à qualidade de vida do dia a dia, como mobilidade, acesso a serviços, conveniência, lazer e bem-estar, ganharam peso significativo na decisão de compra, ultrapassando critérios tradicionais como preço e metragem.
Prioridades do comprador: localização e segurança ainda lideram, mas bem-estar cresce
Segundo a Abrainc, 65% dos consumidores ainda valorizam localização e 64% apontam segurança como critério decisivo. No entanto, há crescimento expressivo de consumidores que priorizam infraestrutura do entorno, experiência de viver no local e atributos relacionados ao bem-estar. Isso representa uma mudança estrutural: a decisão deixa de ser apenas imobiliária e passa a ser uma decisão sobre estilo de vida.
Mobilidade e praticidade ganham relevância
A valorização crescente de fatores como mobilidade urbana, acesso a comércio, opções de lazer próximas e infraestrutura de serviços reflete uma demanda real: compradores buscam reduzir tempo em deslocamentos, priorizar conveniência e ter acesso a tudo que necessitam próximo de casa. Isso explica por que cidades com planejamento urbano consolidado e bairros com boa infraestrutura registram valorização imobiliária mais sustentada.
Curitiba como exemplo de qualidade de vida
Curitiba exemplifica essa tendência. A capital aparece no topo do ranking de qualidade de vida entre as capitais brasileiras, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) 2025. Planejamento urbano, presença de áreas verdes, mobilidade eficiente, infraestrutura de serviços e segurança consolidada atraem constantemente novos moradores. Dados do Censo 2022 mostram que o Paraná recebeu mais de 85 mil novos moradores entre 2017 e 2022. Curitiba absorve boa parte desse fluxo, especialmente de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde compradores buscam alternativa com custo de vida mais equilibrado e qualidade de vida superior. Dentro da capital, bairros como Juvevê, Batel, Água Verde e Alto da XV ganham valorização por concentrarem arborização, comércio local, mobilidade facilitada e infraestrutura de serviços de qualidade.
Mudança no planejamento de projetos
A mudança no perfil do comprador impacta diretamente como incorporadoras planejam empreendimentos. Não basta mais estar bem localizado. É preciso que o projeto ofereça experiência integrada: arquitetura de qualidade, áreas comuns pensadas para bem-estar, conexão genuína com o entorno e especificações técnicas que envelheçam bem. Incorporadoras que reconhecem essa mudança estruturam seus projetos de forma diferente, investindo em regiões com infraestrutura consolidada e dedicando atenção genuína ao projeto de áreas comuns.
Qualidade como estratégia de longo prazo
Para Daniel Pizzatto, diretor executivo da Dreamis Incorporadora, essa mudança reflete compreensão mais profunda sobre o papel da moradia: "Quando pensamos em um projeto, não pensamos apenas em lucro imediato ou em vender rápido. Pensamos em oferecer uma experiência completa, em criar um lugar onde a pessoa realmente quer viver. Qualidade de vida é integrada: começa na arquitetura bem pensada, passa por especificações técnicas que duram, inclui áreas comuns curadas com propósito, soma com a localização. Quando você oferece tudo isso de forma genuína, o imóvel naturalmente valoriza porque atende a demanda real das pessoas."
Impacto nos números do mercado
Os dados do mercado comprovam a tendência. O Secovi-SP registrou crescimento de 7,9% nas vendas de unidades residenciais no primeiro trimestre de 2026. O crescimento foi acompanhado especialmente por regiões que oferecem qualidade de vida consolidada, não apenas preço atrativo. Investidores também observam essas características: infraestrutura urbana, potencial de desenvolvimento da região e atrativos de bem-estar passaram a ser indicadores de perspectivas favoráveis de valorização ao longo do tempo.
Incorporadoras adaptam estratégia
Empresas do setor que compreenderam essa mudança adaptaram suas estratégias. Desenvolvem projetos em regiões com infraestrutura consolidada, investem em áreas de convivência e lazer que contribuam para uma rotina prática e equilibrada. Reconhecem que o imóvel é apenas parte da decisão de compra; o entorno e a experiência de viver naquele local têm peso cada vez maior. A concorrência deixa de ser apenas por preço ou metragem e passa a ser por qualidade de projeto, compreensão genuína de como as pessoas vivem e capacidade de entregar experiência integrada.
Exemplo prático: empreendimento Tauá
O Tauá, empreendimento lançado em dezembro de 2025 pela Dreamis Incorporadora no bairro Juvevê, em Curitiba, reflete essa mudança. Localizado em bairro com infraestrutura consolidada, oferta de serviços e áreas verdes, o projeto foi pensado considerando que qualidade de vida é multidimensional. Arquitetura de qualidade, especificações técnicas duradouras, áreas comuns pensadas para bem-estar e personalização de interiores incluída no processo de compra respondem à demanda de quem busca viver bem.



