A PRIO registrou em julho uma produção média de 196,26 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), o melhor resultado da história da companhia. O volume representa um avanço de 14% em relação a junho, quando a produção foi de 172,1 mil boe/d, conforme balanço operacional divulgado pela petroleira nesta quarta-feira.
O desempenho foi puxado principalmente pelo campo de Wahoo, que entrou em operação no fim de junho e já responde por cerca de 30% da produção total da empresa. O campo, localizado na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, atingiu uma média de 58 mil barris por dia no mês, superando as expectativas iniciais da companhia.
Desempenho por campo e refinaria
A produção do campo de Polvo, um dos principais ativos da PRIO, registrou média de 11,5 mil boe/d em julho, levemente abaixo dos 11,8 mil boe/d de junho, refletindo a parada programada para manutenção. Já o campo de Albacora Leste, adquirido da Petrobras em 2023, produziu 45 mil boe/d, estável na comparação mensal.
A refinaria de Mataripe, na Bahia, processou 8,4 mil barris de petróleo por dia em julho, dentro da normalidade operacional. A companhia não informou o fator de utilização da refinaria, mas destacou que o escoamento da produção segue sem gargalos.
Expectativas e perspectivas
Com o resultado de julho, a PRIO reforça a meta de atingir produção média de 200 mil boe/d no segundo semestre, conforme comunicado anterior da empresa. O CEO da companhia, Roberto Monteiro, afirmou em nota que "o campo de Wahoo superou as projeções iniciais e demonstra o potencial dos nossos ativos no pós-sal".
A companhia também informou que a plataforma FPSO que opera em Wahoo está operando com alta disponibilidade, e que a curva de produção deve continuar crescendo nos próximos meses, com a entrada de novos poços.
O mercado reagiu positivamente ao anúncio. As ações da PRIO fecharam em alta de 2,3% na B3, a bolsa brasileira, enquanto o Ibovespa subiu 0,8% no mesmo dia.
Impacto no setor
O recorde da PRIO ocorre em um cenário de preços do petróleo em alta no mercado internacional, com o barril do Brent sendo negociado acima de US$ 80. A produção nacional de petróleo, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), tem mostrado crescimento consistente, impulsionada por novos campos e pela entrada de operadores independentes.
Especialistas apontam que o desempenho da PRIO reforça a tendência de diversificação da produção offshore brasileira, que historicamente é dominada pela Petrobras. "A PRIO demonstra que o modelo de negócios de operadores independentes é viável e pode gerar valor significativo", comentou a analista da XP Investimentos, Helena Kelm, em relatório.
A companhia, que tem foco em campos maduros e no pós-sal, planeja investir US$ 1,2 bilhão em 2026, sendo a maior parte destinada a projetos de desenvolvimento e manutenção da produção.



