Prejuízo da Postal Saúde salta para R$ 844 mi em 2025
Prejuízo da Postal Saúde salta para R$ 844 mi

A Postal Saúde, operadora de plano de saúde dos funcionários dos Correios, registrou prejuízo de R$ 844 milhões em 2025, quase dobrando o resultado negativo em relação ao ano anterior. O principal motivo foi a falta de repasses financeiros da estatal, que enfrenta sucessivas perdas.

Impacto da crise dos Correios

De acordo com as demonstrações financeiras de 2025, a maior parte do prejuízo decorre da decisão de reconhecer como perda valores que a operadora não espera mais receber dos Correios. A medida foi adotada diante da crise financeira da estatal, que acumula 15 trimestres consecutivos de prejuízo.

No total, a Postal Saúde deixou de contabilizar R$ 865 milhões em receitas após concluir que não há expectativa de receber esses valores. A despesa com provisão para perdas saltou de R$ 350,3 milhões em 2024 para R$ 857,5 milhões em 2025, principalmente pela ausência de repasses.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“No exercício de 2025, a despesa com provisão de perda alcançou R$ 857.466.468 milhões contra R$ 350.341 mil de 2024. A variação no grupo deve-se, sobretudo, à ausência de repasses financeiro por parte do Mantenedor, obrigando a Operadora reconhecer a possível perda”, disse a administração da Postal Saúde.

Sinalização de regularidade

Apesar do resultado, a Postal Saúde informou que, em 13 de janeiro deste ano, recebeu dos Correios um aporte correspondente a cerca de 50% dos passivos em aberto. A operadora não informou o valor transferido, mas a administração afirmou que o repasse representa “uma sinalização de regularidade nos repasses” e permitiu o início das negociações para pagamento de débitos junto à rede credenciada.

A Postal Saúde é financiada por repasses mensais dos Correios e pelas contribuições dos cerca de 189 mil beneficiários, entre empregados da estatal e dependentes. Por isso, a crise financeira dos Correios afeta diretamente a operadora.

Reclamações em alta

Nos últimos meses, usuários relataram dificuldades para utilizar o plano em parte da rede credenciada. As reclamações registradas na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aumentaram 44% na comparação com o primeiro semestre de 2024. Em 2025, foram 916 reclamações até junho, contra 912 no mesmo período de 2024, mas o total anual subiu para 2.076.

Ativos encolhem e dívidas passam de R$ 1 bilhão

A falta de repasses também afetou o patrimônio da Postal Saúde. O total de ativos caiu de R$ 557 milhões, em 2024, para R$ 193 milhões, em 2025, uma redução de 65%. Segundo a operadora, os recursos disponíveis foram utilizados para manter pagamentos e garantir o funcionamento dos serviços.

Ao mesmo tempo, o passivo, que reúne as obrigações financeiras, passou de R$ 568 milhões para R$ 1,1 bilhão no período, um aumento de cerca de 85%.

Risco para continuidade

Nas notas explicativas, a administração afirma que há risco para a continuidade das operações em razão da dependência financeira em relação aos Correios. A interrupção ou atraso nos repasses pode provocar aumento das despesas assistenciais, ações judiciais, reclamações de beneficiários e maior fiscalização da ANS.

“Observando o atual cenário econômico do Mantenedor, é imprescindível manter a análise em contextos gerais, sobre a possibilidade de os riscos não serem integralmente garantidos. Deste modo, entende-se que a Empresa Pública deve garantir legalmente e financeiramente os riscos da Postal Saúde perante a Autarquia reguladora”, justificou a operadora.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar