O mercado de planos de saúde no Brasil registrou uma desaceleração significativa em 2026, após cinco anos consecutivos de expansão. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o número de beneficiários caiu 1,2% no primeiro semestre do ano, totalizando 50,3 milhões de usuários. Esse é o primeiro recuo desde 2021, quando o setor começou a se recuperar da pandemia de Covid-19.
Queda no número de beneficiários
Segundo a ANS, a redução foi puxada principalmente pelos planos coletivos empresariais, que perderam 1,5% de seus usuários. Já os planos individuais e familiares tiveram queda de 0,8%. A desaceleração ocorre em um contexto de inflação elevada e aumento do desemprego, que afetam a capacidade de pagamento das famílias e empresas.
O presidente da ANS, Paulo Roberto, afirmou que a tendência é de estabilização do mercado nos próximos meses. "Acreditamos que o mercado deve se ajustar gradualmente, com a retomada do crescimento no segundo semestre, mas em ritmo mais moderado do que nos anos anteriores", disse.
Impactos no setor
A desaceleração preocupa as operadoras de planos de saúde, que vinham registrando recordes de lucro nos últimos anos. A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) estima que o faturamento do setor deve crescer apenas 3% em 2026, bem abaixo dos 12% de 2025. "O cenário econômico desfavorável e o aumento da sinistralidade estão pressionando as margens das operadoras", explicou o presidente da Abramge, José Cechin.
Entre os fatores que contribuíram para a desaceleração estão o encarecimento dos custos médicos e hospitalares, que subiram 8% no período, e a redução do número de empregos formais, que impacta diretamente os planos empresariais. A ANS também implementou novas regras para reajustes, limitando os aumentos a 10% ao ano, o que pode ter desestimulado a adesão a novos planos.
Perspectivas para o futuro
Analistas do setor projetam que o mercado de planos de saúde deve crescer entre 1% e 2% ao ano nos próximos três anos, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela maior conscientização sobre saúde preventiva. No entanto, a recuperação plena depende da melhora do cenário econômico e do emprego.
A ANS informou que continuará monitorando o mercado e poderá adotar medidas para estimular a competição e a eficiência das operadoras. Entre as possibilidades estão a simplificação de processos de autorização e o incentivo a programas de prevenção de doenças.



