A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar a movimentação de R$ 2,3 bilhões feita pelo ex-CEO da Americanas, conforme revelou o jornal Valor Econômico neste domingo (02/08). As apurações correm em sigilo e buscam identificar se o dinheiro tem relação com as irregularidades contábeis que resultaram no pedido de recuperação judicial da varejista.
O que diz a apuração
De acordo com a reportagem, os investigadores analisam transações bancárias, registros de empresas e possíveis operações com terceiros envolvendo o ex-presidente da companhia. A suspeita é de que parte do montante tenha sido movimentada para ocultar patrimônio ou desviar recursos dos balanços da Americanas.
O jornal teve acesso a documentos do inquérito que mostram um aumento atípico no fluxo financeiro do executivo em um curto período. Os valores teriam circulado por contas de ao menos cinco empresas, algumas das quais classificadas como de fachada pelos investigadores.
Contexto da crise na Americanas
A Americanas divulgou, em janeiro de 2023, a existência de "inconsistências contábeis" da ordem de R$ 20 bilhões nos balanços dos anos anteriores. O anúncio levou a companhia a entrar com pedido de recuperação judicial, com dívidas avaliadas em mais de R$ 40 bilhões.
O escândalo provocou a renúncia do então presidente Sergio Rial, que havia assumido o cargo poucos dias antes. A gestão anterior, da qual fazia parte o ex-CEO agora sob investigação, é apontada como responsável pelas distorções nos números.
Atuação da Polícia Federal
Esta não é a primeira frente de investigação aberta pela PF envolvendo a Americanas. Desde o início do caso, a corporação realiza diligências para apurar responsabilidades. A novidade, segundo o Valor, é o foco específico na movimentação financeira do ex-CEO, que pode ter usado intermediários para pulverizar os valores.
Ainda segundo o jornal, a PF já solicitou a quebra de sigilo bancário e fiscal do executivo, além de autorização judicial para acessar mensagens corporativas e contratos firmados com supostos prestadores de serviço.
Impacto e próximos passos
As apurações podem resultar em acusações por crimes como lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica, caso as suspeitas sejam confirmadas. A expectativa é de que a PF conclua a investigação nos próximos meses e encaminhe um relatório ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre a abertura de ação penal.
O ex-CEO poderá ser ouvido novamente e, dependendo das evidências, sofrer medidas cautelares como o bloqueio de bens. Até o fechamento desta edição, a defesa do executivo não foi localizada para comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestações.



